Os israelenses votam nesta terça-feira (27) em uma eleição parlamentar que coloca em disputa a permanência de Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro. Cerca de 7,3 milhões de eleitores estão aptos a escolher os integrantes do Parlamento, em um cenário no qual as pesquisas não apontam maioria assegurada para o governo nem para a oposição. É a primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e as guerras que se seguiram.
Diferentemente do Brasil, os eleitores não escolhem diretamente quem comandará o governo. O voto é dado a listas partidárias, que disputam as 120 cadeiras da Knesset, o Parlamento israelense. Para participar da distribuição dos assentos, cada lista precisa alcançar pelo menos 3,25% dos votos válidos. A formação de uma maioria de 61 parlamentares depende de acordos entre partidos, o que torna as negociações posteriores à votação decisivas para definir o próximo primeiro-ministro.
Netanyahu, do Likud, acumula 19 anos no comando do país em períodos distintos. Entre seus adversários estão Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e líder do partido Yashar, e Naftali Bennett, que foi primeiro-ministro entre 2021 e 2022. Eisenkot participou do gabinete de guerra criado após os ataques de 2023, mas rompeu com o governo e criticou a condução das operações em Gaza. Ele acusa Netanyahu de falhar na proteção do país e de negligenciar o resgate dos reféns, acusações negadas pelo premiê.
A campanha também expôs divergências sobre o custo de vida, a independência do Judiciário e o serviço militar de judeus ultraortodoxos. A oposição defende uma investigação sobre as falhas de segurança que permitiram os ataques de 2023. Netanyahu, por sua vez, busca apoio com o argumento de que sua liderança produziu resultados militares contra o Hamas, o Hezbollah e o Irã, enquanto enfrenta críticas pela condução dos conflitos e pelas alianças com partidos de extrema direita.
Uma eventual troca de governo, porém, não significa que os principais adversários de Netanyahu defendam a criação de um Estado palestino. Segundo a reportagem da Agência Brasil, os três líderes rejeitam essa proposta e defendem o desarmamento do Hamas. Há diferenças sobre a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e as relações com outros países. Ouvida pela agência, a professora Karina Stange Calandrin, do Ibmec de São Paulo, avalia que um governo da oposição poderia mostrar maior disposição para negociar com atores internacionais.
Os partidos árabes podem ser decisivos caso nenhum dos principais blocos alcance maioria. Essa possibilidade, entretanto, esbarra na resistência de lideranças oposicionistas a uma aliança com essas legendas. Por isso, mesmo uma perda de força do Likud nas urnas não determina automaticamente a saída de Netanyahu, que poderá continuar à frente de um governo interino enquanto não houver acordo para substituí-lo.
A votação termina às 22h em Israel, às 17h em Brasília e no Piauí, quando devem ser divulgadas pesquisas de boca de urna. A definição do governo pode levar semanas. Após os resultados, o presidente Isaac Herzog consultará os partidos e encarregará um candidato de tentar formar uma coalizão. Se as tentativas fracassarem, o país poderá ter de realizar outra eleição.