O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que deixou o Brasil com a família e está nos Estados Unidos, onde pretende comandar a oposição ao governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em uma carta de três páginas, atribuída ao parlamentar, ele se apresenta como o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais de 2026, contesta o resultado do segundo turno e acusa integrantes do Judiciário de perseguição política.
No documento, Flávio afirma que recebeu acolhimento do governo norte-americano e agradece aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina. O senador sustenta que sua saída do país foi motivada pelo receio de sofrer medidas judiciais semelhantes às impostas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, afirma em um dos trechos. Ele acrescenta que levou a família aos Estados Unidos por considerar que não teria segurança jurídica em território brasileiro.
A manifestação ocorre após Flávio afirmar, na segunda-feira (26), que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A carta não esclarece quando o senador deixou o território brasileiro nem como ocorreu a viagem.
Flávio Bolsonaro também afirma que houve fraude no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Ele questiona a ampliação do horário de votação e o crescimento do número de votos recebidos por Lula entre os dois turnos.
O senador atribui irregularidades à atuação de autoridades judiciais e acusa a campanha petista de abuso de poder político e econômico. As alegações apresentadas no documento não vêm acompanhadas de provas que demonstrem fraude na apuração ou alteração indevida do resultado eleitoral.
Na carta, Flávio afirma que as supostas irregularidades justificariam a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. O parlamentar também dirige acusações de corrupção contra integrantes do Supremo, sem apresentar documentação que sustente essas afirmações.
Ao comentar a possibilidade de medidas judiciais contra ele, o senador declara que não existe mandado de prisão em seu nome e descreve a apreensão de passaportes, o uso de tornozeleira eletrônica e a prisão domiciliar como etapas de uma suposta perseguição política.
O senador afirma que pretende continuar atuando politicamente a partir do exterior. Ele cita personagens históricos que viveram fora de seus países durante conflitos políticos, como Rui Barbosa e Charles de Gaulle, para justificar sua decisão.
Flávio também menciona lideranças oposicionistas da Venezuela e afirma que não pretende reconhecer a legitimidade da vitória de Lula.
Na mensagem, o parlamentar dirige um recado a senadores, deputados e governadores aliados, especialmente a Rogério Marinho (PL-RN), a quem identifica como seu candidato à presidência do Senado.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirma.
O senador anuncia ainda que apresentará, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização política contra o governo Lula, por meios que classifica como pacíficos e legítimos.
Ao encerrar a carta, Flávio declara que sua saída do país não representa o abandono de seus eleitores e reafirma que continuará contestando o resultado da eleição presidencial.
Veja o documento: