PF indicia Daniel Vorcaro e mais 14 pessoas no caso Banco Master

Investigação apura suspeitas de fraude em operações de R$ 17,5 bilhões entre o Master e o BRB.


A Polícia Federal indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas no âmbito das investigações sobre suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master. Segundo a corporação, as operações investigadas ocorreram entre julho de 2024 e outubro de 2025 e envolveram a venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao BRB.

Foto: Reprodução
Daniel Vorcaro

De acordo com os investigadores, pelo menos R$ 12,2 bilhões correspondiam a créditos cuja existência não foi comprovada. A suspeita é de que o BRB tenha adquirido essas carteiras e liberado recursos sem realizar as verificações necessárias para confirmar a validade dos ativos.

O relatório parcial da investigação foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nele, a Polícia Federal aponta Vorcaro e Paulo Henrique Costa como integrantes do núcleo estratégico e decisório do esquema, responsáveis, segundo a apuração, pela definição das operações, pela articulação entre as instituições financeiras e pela coordenação de outros envolvidos.

A lista de indiciados também inclui Augusto Lima, sócio de Vorcaro, diretores do Banco Master, dirigentes do BRB, operadores ligados a empresas de fachada e um advogado.

Segundo a Polícia Federal, Vorcaro seria o líder da organização criminosa investigada. Os investigadores afirmam que ele centralizava as decisões relacionadas à produção, à aquisição e à transferência das carteiras de crédito utilizadas para captar recursos, além de coordenar a atuação de pessoas ligadas ao Banco Master e a empresas associadas.

Augusto Lima é apontado como integrante do núcleo executivo-financeiro. Conforme o relatório, ele teria participado da estruturação financeira e contábil das operações, do acompanhamento das transferências de carteiras de crédito, da organização de documentos e da apresentação de propostas de aquisição ao BRB.

A investigação também apura suspeitas de que Vorcaro teria oferecido vantagem indevida a Paulo Henrique Costa por meio da aquisição dissimulada de imóveis de alto padrão. De acordo com a PF, a operação teria sido estruturada para ocultar os responsáveis pelo pagamento e o verdadeiro beneficiário dos imóveis.

Em relação ao ex-presidente do BRB, os investigadores afirmam que os indícios não se limitariam ao cargo ocupado ou à participação formal na diretoria da instituição. A corporação aponta uma suposta atuação direta na articulação dos interesses do Banco Master dentro do BRB, além de possível flexibilização dos controles internos e continuidade das aquisições mesmo após o conhecimento de inconsistências nas carteiras de crédito.

Vorcaro está preso desde março de 2026, enquanto Paulo Henrique Costa foi preso em abril do mesmo ano, conforme as informações divulgadas sobre o caso.

Os 15 investigados foram indiciados por suspeitas de crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O indiciamento representa o entendimento da Polícia Federal sobre a existência de indícios de envolvimento nos fatos apurados, mas não equivale a uma condenação criminal.

Cabe agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar o material e avaliar se apresentará acusações formais à Justiça. A Polícia Federal também solicitou mais 60 dias para concluir as investigações.

O caso busca esclarecer como as operações entre o Banco Master e o BRB foram estruturadas, quais controles foram aplicados na compra das carteiras de crédito e qual teria sido a participação de cada investigado nas transações.

A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que conversas por aplicativos demonstrariam que ele não tinha conhecimento das supostas fraudes. Segundo os advogados, há registros de que o ex-presidente do BRB identificou irregularidades nas carteiras de crédito e levou o assunto ao conhecimento do Banco Central. A defesa também sustenta que não há indicação de que ele tenha recebido vantagem financeira.

Os advogados de Daniel Vorcaro classificaram o indiciamento como precipitado, sob o argumento de que a investigação ainda não foi concluída. A defesa afirma que, sem provas técnicas de fraude ou prejuízo, a medida não se sustentaria e pediu a revogação da prisão do ex-banqueiro.

Já a defesa de Augusto Lima declarou que os documentos e esclarecimentos apresentados demonstrariam que ele não participou das fraudes investigadas. Os advogados contestaram a interpretação da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a ele e afirmaram que os registros foram analisados fora de seu contexto temporal.

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