Celular se consolida como porta de entrada para compras online no Brasil

79% dos consumidores entrevistados utilizaram smartphones na última compra online.

O celular deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação para se tornar o principal meio de acesso ao comércio eletrônico brasileiro. Segundo o estudo Panorama E-commerce, divulgado pela Visa em 2026, 79% dos consumidores entrevistados utilizaram smartphones na última compra online, reforçando a preferência pelo aparelho na hora de pesquisar produtos, comparar preços e finalizar pedidos.

Essa mudança acompanha a expansão do acesso à internet. Dados do IBGE mostram que, em 2025, 95% dos domicílios brasileiros tinham conexão à rede. Com mais pessoas conectadas, aplicativos de lojas, marketplaces e redes sociais passaram a fazer parte da rotina de consumo, aproximando o comércio digital de diferentes perfis de compradores.

Por que o celular se tornou o principal meio de compras online?

A preferência pelo celular nas compras online está relacionada à praticidade de acessar lojas virtuais em qualquer lugar, consultar ofertas e concluir pagamentos sem depender de um computador. A possibilidade de realizar todas essas etapas em um único dispositivo tornou o processo mais acessível e conveniente.

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgada em julho de 2026, mostrou que 85% dos consumidores pesquisados haviam utilizado aplicativos de lojas para realizar compras nos 12 meses anteriores.

O levantamento também revelou a importância do setor de moda e vestuário nesse comportamento. Roupas e acessórios estavam entre os produtos mais adquiridos por aplicativos, mencionados por 52% dos participantes, seguidos por medicamentos e produtos de farmácia, com 43%.

O comportamento também influencia o funcionamento das lojas virtuais. Páginas adaptadas para telas menores, aplicativos com navegação simplificada e diferentes opções de pagamento passaram a ter maior importância para atender consumidores que realizam toda a compra pelo smartphone.

Aplicativos e marketplaces ganham espaço na rotina dos brasileiros

Os aplicativos de compras e marketplaces estão entre os principais canais utilizados pelos brasileiros para adquirir produtos pela internet. Essas plataformas reúnem diferentes vendedores, permitem comparar ofertas e concentram recursos como acompanhamento de pedidos, avaliações de clientes e informações sobre entregas.

O levantamento da Visa aponta que os marketplaces concentraram 71% das compras analisadas, enquanto os sites das próprias lojas representaram 20%. O resultado mostra a relevância das plataformas que reúnem produtos de diferentes estabelecimentos em um mesmo ambiente digital.

Essa preferência também modifica a maneira como os consumidores escolhem onde comprar. Em vez de consultar apenas uma loja, é possível comparar preços, condições de frete, reputação de vendedores e prazos de entrega antes de tomar uma decisão.

Cupons e promoções exclusivos incentivam compras pelos aplicativos

Os cupons e promoções exclusivos para aplicativos são outra estratégia utilizada pelo comércio eletrônico para incentivar compras pelo celular. Em determinados períodos, lojas oferecem descontos, preços diferenciados e campanhas relâmpago disponíveis apenas no app, sem necessariamente estender as mesmas condições ao navegador ou às unidades físicas.

Essa prática aparece especialmente no varejo de roupas, calçados e artigos esportivos. A Centauro, por exemplo, realiza campanhas como o APP Day, com ofertas destinadas aos usuários do aplicativo. A Netshoes também prevê preços exclusivos para determinados produtos comprados pelo app, diferentes dos encontrados em outros canais digitais.

O Mercado Livre adota estratégias semelhantes ao incentivar o uso do aplicativo para acessar ofertas e conferir algum cupom promocional do Mercado Livre disponível para utilização. A plataforma também trabalha com ofertas relâmpago, que podem terminar quando o prazo se encerra ou o estoque disponível acaba.

Para o consumidor, isso significa que pesquisar um produto pelo navegador nem sempre é suficiente para encontrar todas as condições disponíveis. Em algumas situações, consultar o aplicativo da mesma loja pode revelar descontos adicionais, embora seja importante comparar o valor final e verificar as regras de cada campanha.

Redes sociais também influenciam as decisões de compra

As redes sociais passaram a influenciar diretamente a descoberta de produtos e as decisões de compra dos brasileiros. Publicações de influenciadores, vídeos demonstrativos e recomendações de outros consumidores aproximam o público de produtos que, muitas vezes, não estavam em seus planos iniciais.

O avanço das compras pelas redes sociais demonstra como plataformas de conteúdo passaram a participar da jornada comercial. Uma pessoa pode descobrir um produto em um vídeo, pesquisar avaliações e comparar preços em diferentes lojas antes de concluir o pedido.

Essa integração entre entretenimento e consumo também favorece o crescimento das transmissões de vendas ao vivo e das publicações com produtos identificados. Para as empresas, estar presente onde o consumidor pesquisa e acompanha novidades passou a ser tão importante quanto manter uma loja virtual.

Preço, frete e descontos continuam decisivos

Apesar da praticidade das compras pelo celular, o preço final continua sendo um dos fatores mais importantes na decisão do consumidor. Além do valor anunciado, entram na comparação os custos de entrega, as possibilidades de parcelamento e os benefícios oferecidos pelas plataformas.

Em marketplaces como o Mercado Livre, por exemplo, a avaliação pode incluir diferentes vendedores, condições de envio e descontos aplicáveis ao pedido, considerando as regras e possíveis restrições de cada oferta.

As formas de pagamento também influenciam essa escolha. Segundo a pesquisa da Visa, o cartão de crédito foi utilizado em 47% das últimas compras analisadas, enquanto o Pix apareceu em 45%, demonstrando a importância das duas modalidades no comércio eletrônico.

Ao mesmo tempo, a facilidade de comprar exige atenção. Verificar a reputação do vendedor, conferir o endereço da loja e desconfiar de preços muito inferiores aos praticados no mercado são cuidados importantes para reduzir o risco de fraudes.

Comércio eletrônico deve continuar priorizando a experiência mobile

A consolidação do celular como porta de entrada para o comércio eletrônico indica uma mudança duradoura nos hábitos de consumo. O smartphone passou a reunir pesquisa, comparação de preços, descoberta de produtos, pagamento e acompanhamento das entregas em uma única experiência.

As promoções exclusivas dos aplicativos acrescentam outro elemento a essa transformação, tornando o celular não apenas uma opção conveniente, mas também um canal que pode oferecer condições comerciais diferentes das disponíveis em outros meios de compra.

Para as empresas, adaptar plataformas e serviços a essa realidade deixou de ser apenas uma vantagem competitiva. Já para os consumidores, a tendência é encontrar processos cada vez mais integrados, mantendo a necessidade de comparar condições e comprar com segurança.

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