Instagram Shopping impulsiona comércio digital no Brasil
Instagram se destaca na venda direta online com novas funções
A transformação na maneira como os brasileiros realizam compras online está em ritmo acelerado. O que antes começava com pesquisas em motores de busca como o Google ou em grandes marketplaces agora ocorre diretamente no feed das redes sociais. De acordo com o DataReportal 2026, o Brasil contabiliza cerca de 150 milhões de usuários ativos em redes sociais, e esse público consome cada vez mais produtos sem sair dessas plataformas. O avanço do social commerce transforma redes como Instagram e TikTok em canais diretos de venda, diminuindo a distância entre a descoberta do produto e a conversão em venda. Um estudo da Accenture destaca que compras mediadas por redes sociais crescem até três vezes mais rapidamente do que o e-commerce tradicional.
Com o crescimento do TikTok Shop no Brasil — que deve movimentar R$ 39 bilhões até 2028, representando 9% de todo o e-commerce nacional —, o Instagram Shopping chega para fortalecer sua presença no mercado brasileiro. A Meta, dona do Instagram, está expandindo suas funcionalidades para tornar o aplicativo um ambiente completo de vendas, em um movimento que abrange 22 países. O cenário é promissor: o e-commerce brasileiro faturou mais de R$ 200 bilhões em 2025 e deve ultrapassar R$ 258 bilhões em 2026, um crescimento de 10%, conforme a ABComm.
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Daniel Arcoverde, CEO e cofundador da Netshow.me, afirma que o mercado está em aceleração por unir dois fatores cruciais: atenção e produto. "As redes sociais já concentram a atenção do público e agora conseguem transformar esse tempo de consumo em oportunidades reais de compra", comenta Arcoverde.
O Instagram tem um alcance significativo no Brasil, presente nos smartphones de 91,2% dos internautas com 16 anos ou mais. Relatórios apontam que 73% dos usuários brasileiros já adquiriram produtos ou serviços que descobriram no Instagram, e 69% realizaram compras com base em recomendações de influenciadores ou outros usuários, segundo o relatório Instagram 2026 do Opinion Box, que entrevistou 1.102 pessoas. Além disso, 98% das marcas brasileiras que utilizam marketing de influência escolhem o Instagram como principal canal.
A principal inovação está em facilitar o caminho entre engajamento e compra. Criadores de conteúdo agora podem vincular até 30 produtos diretamente em suas publicações, especialmente em formatos como Reels. O Instagram prioriza estes formatos em seu algoritmo para competir com o TikTok, permitindo aos usuários visualizarem ofertas e acessarem itens de plataformas como Amazon e Shopee com poucos cliques.
Arcoverde observa que o Instagram demorou para avançar no social commerce no Brasil, inicialmente adotando um modelo de afiliados, onde criadores recebem comissões pelas vendas geradas através de suas recomendações. Este movimento segue uma lógica já estabelecida no setor: TikTok para descoberta, Instagram para desejo, WhatsApp para conversão, uma jornada comum para o novo perfil de comprador digital brasileiro.
Há uma expectativa de que o Instagram evolua para um sistema de checkout próprio dentro do aplicativo, o que reduziria a necessidade de o usuário sair da rede social para concluir o pagamento, diminuindo a chance de desistência e aumentando a conversão. Atualmente, o Instagram ainda redireciona o usuário para fora do app na etapa de pagamento, uma limitação já superada pelo TikTok Shop em seus principais mercados.
Live commerce avança e ganha espaço também no mercado B2B
Outra tendência em crescimento é o live commerce, um modelo de vendas ao vivo que combina demonstração de produtos, interação com o público e conversão em tempo real. Esse formato já é comum em plataformas como Shopee e Shein e domina parte significativa do comércio eletrônico asiático, onde a integração entre conteúdo e compra encurta o tempo de decisão do consumidor para menos de sete minutos.
Na China, o live commerce já responde por cerca de 20% de todo o e-commerce, segundo Arcoverde. No Brasil, além do varejo tradicional, essa prática começa a ganhar espaço no ambiente corporativo, especialmente entre indústrias e distribuidores.
O movimento conhecido como Live Commerce B2B envolve empresas que realizam transmissões ao vivo para vender produtos diretamente a lojistas e revendedores. Diferente das redes sociais abertas, essas operações ocorrem em ambientes controlados, permitindo a captura de dados da audiência, venda em lotes e gestão integrada de pedidos.
De acordo com a Netshow.me, em alguns casos, transmissões com duração de cerca de uma hora e meia já movimentaram mais de R$ 25 milhões em vendas, indicando que o modelo pode se consolidar como uma nova frente relevante no comércio digital brasileiro.