Presidente do TCE-MA é investigado por suposta ligação com assassinato e propina

Polícia Federal apura participação de Daniel Brandão em crime ocorrido em São Luís em 2022

O presidente do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão, é alvo de investigação da Polícia Federal por suposta ligação com um assassinato ocorrido em São Luís, em agosto de 2022, e suspeita de envolvimento em cobrança de propina em contratos estaduais. O caso surgiu a partir do homicídio de um homem e denúncias de atuação ilegal de agentes ligados à família do governador Carlos Brandão (PSB).

Foto: Reprodução
Daniel Brandão

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Daniel Brandão, então secretário do governo do tio, teria estado com os envolvidos no crime minutos antes dos disparos. Apesar disso, não foi chamado para depor pela polícia estadual, sendo tratado como “indivíduo não identificado” na fase inicial da investigação, embora uma testemunha o tenha citado no dia seguinte ao crime. O governador confirmou a presença do sobrinho no local, e imagens de videomonitoramento também registram sua participação.

A apuração teve início a partir de denúncias feitas a órgãos federais por Lorena da Silva Santos, companheira de Gilbson Cesar Soares Cutrim Junior, assassino confesso condenado a 13 anos de prisão. Lorena relatou que Gilbson prestava serviços para a família Brandão, procurando credores do governo e negociando devolução de valores, com parte do montante supostamente destinada a Daniel Brandão, um vereador aliado e o próprio assassino.

Daniel Brandão, atualmente com foro privilegiado por integrar o TCE-MA, se tornou conselheiro seis meses após o assassinato e foi eleito presidente da Corte em dezembro de 2024. O inquérito federal, aberto em maio, ainda está em fase inicial, analisando a consistência das informações obtidas nos depoimentos iniciais. Até o momento, não há indícios de envolvimento do governador Carlos Brandão nos fatos investigados.

O presidente do TCE-MA declarou rejeitar qualquer associação a práticas ilícitas e afirmou ter sofrido tentativa de extorsão por parte de quem o acusa. O governo do Maranhão reforçou que a Polícia Civil realizou todas as diligências necessárias para elucidar o crime e apurar suposto envolvimento de agentes públicos em atos de corrupção. O caso foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) devido ao foro privilegiado de Daniel Brandão.

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