Justiça solta vereadora Tatiana Medeiros após seis meses de prisão domiciliar

O TRE revogou a medida após reconhecer a anulação das provas que embasaram o processo da parlamentar

A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi solta nesta sexta-feira (10) após permanecer seis meses em prisão domiciliar. A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), que revogou a medida cautelar depois da anulação das provas usadas no processo ao qual ela responde.

Foto: Reprodução
Tatiana Medeiros

De acordo com o advogado da vereadora, Edson Araújo, a decisão permite que Tatiana retorne às suas atividades parlamentares e profissionais, incluindo a Câmara Municipal de Teresina, de onde estava afastada desde abril.

O juiz José Maria de Araújo Costa, responsável pelo caso, afirmou na decisão que “existem dúvidas quanto à licitude das provas que embasaram a prisão” e que, diante da incerteza jurídica, não há fundamento para manter as restrições impostas.

Tatiana Medeiros havia sido presa em abril de 2025 durante a Operação Escudo Eleitoral, da Polícia Federal, que investigava corrupção eleitoral e financiamento de campanhas com dinheiro de facções criminosas. Segundo as investigações, parte dos recursos teria origem em atividades ilícitas ligadas ao namorado da vereadora, Alandilson Cardoso Passos, preso em 2024 por tráfico de drogas e apontado como integrante de uma organização criminosa.

Durante o período em que esteve presa, Tatiana foi flagrada com celulares e tablets dentro da Sala de Estado Maior do Quartel do Comando Geral da PM, de onde teria mantido contato com o namorado. Poucos dias depois, passou mal e foi internada no Hospital da Polícia Militar, onde teve a prisão domiciliar decretada por motivos de saúde.

A libertação da vereadora foi possibilitada após a defesa questionar a legalidade das provas apresentadas pela acusação. Segundo o pedido, o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que embasou a prisão teria sido obtido junto ao Coaf sem autorização judicial, o que o tornaria ilícito. A Justiça acatou o argumento, anulou o relatório e determinou o cancelamento do julgamento de Alandilson, estendendo o entendimento a Tatiana.

Tatiana responde pelos crimes de rachadinha, organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e peculato. Além dela, foram indiciados o padrasto, Stênio Ferreira dos Santos, a mãe, a irmã e dois funcionários do Projeto Vamos Juntos, instituto social fundado pela parlamentar.

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