Gestão de Nazaré acumula mais de R$ 340 mil em multas

O prefeito e o vice foram condenados a pagar multa de R$ 98 mil cada por transporte irregular de eleitores

O município de Nossa Senhora de Nazaré (PI) voltou ao centro das denúncias por uso indevido de recursos públicos. 

Documentos oficiais da Justiça Eleitoral e do Portal da Transparência revelam que o prefeito José Henrique de Oliveira Alves e o vice-prefeito Marcílio Gomes de Carvalho foram condenados por transporte irregular de eleitores e também protagonizam uma verdadeira farra de diárias pagas pela prefeitura, algumas superiores às de cidades maiores, como Piripiri.

Foto: Reprodução
Prefeito e vice-prefeito

Segundo sentença da 96ª Zona Eleitoral de Campo Maior, o juiz Sérgio Roberto Marinho Fortes do Rego condenou os dois gestores ao pagamento individual de 20 mil UFIRs, o que equivale a R$ 98 mil cada, por utilizarem veículo da Secretaria Municipal de Saúde para transportar eleitores no dia da votação.

O magistrado determinou ainda o envio do caso ao Ministério Público para apuração de improbidade administrativa.

A decisão cita provas como vídeos e depoimentos de testemunhas confirmando que um carro oficial, modelo Renault Duster, foi usado para deslocar uma eleitora entre Campo Maior e Nossa Senhora de Nazaré. O veículo estava registrado em nome da Secretaria de Saúde e era dirigido por servidor público do município.

Farras e valores acima da média

Paralelamente à condenação, dados do Portal da Transparência da própria prefeitura mostram gastos que chamam atenção. De janeiro a outubro de 2025, José Henrique recebeu R$ 54.500,00 em diárias, sempre para viagens a Teresina “para demandas de interesse do município”.

No mesmo período, o vice-prefeito Marcílio Gomes recebeu R$ 46.900,00 em valores idênticos — R$ 1.500 por deslocamento, conforme os registros oficiais.

Somados, prefeito, vice e secretários consumiram R$ 346.328,92 apenas em diárias neste ano.

O valor individual das diárias em Nossa Senhora de Nazaré é duas vezes e meia maior que o pago pela Prefeitura de Piripiri, cidade muito mais populosa e distante da capital. Enquanto a prefeita piripiriense recebe cerca de R$ 600,00 por viagem a Teresina, o prefeito José Henrique recebe R$ 1.500,00 — ainda que o município esteja localizado a menos de 86 km de distância da capital.

“Prefeitura como fazenda particular”

José Henrique governa Nossa Senhora de Nazaré há várias gestões e é acusado por opositores de tratar o município “como se fosse uma fazenda particular”. A prática recorrente de concentrar cargos, premiar aliados com viagens e ignorar os limites da legislação eleitoral reforça essa percepção entre moradores e servidores locais.

A decisão judicial e os relatórios de transparência revelam um padrão: o uso da estrutura pública tanto para fins eleitorais quanto para benefícios pessoais, numa cidade que enfrenta problemas básicos de infraestrutura e serviços essenciais.

Próximos passos

O caso agora segue para o Ministério Público, que poderá investigar o prefeito e o vice por ato de improbidade administrativa, já que o transporte irregular de eleitores foi comprovado. Caso o MP confirme dano ao erário, os gestores podem responder por enriquecimento ilícito e violação aos princípios da administração pública.

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