Ex-Funcionária do PL alega demissão por intolerância religiosa

Denise Xavier era secretária-adjunta da legenda no estado e cita cenas de intolerância e difamação

De acordo com Denise, colegas passaram a hostilizá-la, chamando-a de “macumbeira” de maneira pejorativa. Ela também foi alvo de acusações infundadas de que teria levado um “despacho” para a sede da sigla. Em conversas internas, membros do partido chegaram a sugerir a instalação de câmeras para verificar se ela estaria levando “terra de cemitério” ao local.

Foto: Reprodução
Denise era membro do PL Jovem do partido no Piauí e é de religião de matriz afrodescendente

Em áudios atribuídos a uma outra integrante do PL, aos quais a coluna teve acesso, a militante afirma que “o clima estaria melhor” pela ausência de Denise e a acusa de “fazer trabalho pra todo mundo ali”. Em mensagens de texto, essa mesma pessoa teria dito que a colega “ficava o tempo todo calculando uma forma de atrapalhar”, declarações que indicariam incômodo motivado pela religião de Denise, praticante de matriz africana.

A situação levou a Federação Umbandista do Brasil (Feubra) a divulgar uma nota de repúdio. A entidade condena “com firmeza” os ataques sofridos pela ex-funcionária e ressalta que insultos, estigmas e acusações sem provas configuram violação à liberdade religiosa. A federação também cobra que o PL-Piauí identifique e responsabilize os envolvidos, reforçando o compromisso com a dignidade e o respeito aos praticantes de religiões afro-brasileiras.

O caso ocorre em um partido cuja base é majoritariamente formada por evangélicos, cenário onde já foram registrados outros episódios de tensão religiosa. As mensagens e áudios que embasam as acusações foram obtidos pela coluna por meio de conversas trocadas em grupos internos do partido.

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