O Brasil vive uma escalada da violência contra as mulheres, com o crescimento dos casos de feminicídio mesmo após pedidos formais de ajuda às autoridades. Em 2025, ao menos 1.461 mulheres foram assassinadas por razões de gênero, segundo dados oficiais ainda sujeitos a atualização em alguns estados, evidenciando limites na efetividade das políticas de proteção.
Um dos casos mais recentes ocorreu em Novo Barreiro, no interior do Rio Grande do Sul. Marlei Froelick, de 53 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro duas semanas depois de solicitar uma medida protetiva, que acabou negada pela Justiça. A autorização só foi concedida após recurso do Ministério Público, um dia antes do crime. O assassinato foi o 11º feminicídio registrado no estado em 2026.
Os números no Rio Grande do Sul reforçam o alerta. Apenas em janeiro, o estado superou o total de feminicídios contabilizados no mesmo período do ano anterior. A média indica que uma mulher foi morta a cada dois dias, cenário que preocupa autoridades e especialistas da área.
Para integrantes do Ministério Público, os dados refletem um problema estrutural que vai além da atuação policial ou judicial. A promotora Ivana Battaglin avalia que o avanço da autonomia feminina não tem sido acompanhado por mudanças culturais na mesma velocidade. “Estamos criando mulheres independentes, mas ainda convivemos com homens que não sabem lidar com essa autonomia”, afirma.
Segundo ela, a concessão de medidas protetivas, embora fundamental, não é suficiente se não vier acompanhada de monitoramento eficaz e respostas rápidas do Estado. Ferramentas como o botão do pânico e o acompanhamento contínuo de casos de maior risco são apontadas como essenciais para evitar que pedidos de socorro sejam atendidos tarde demais.
Enquanto parte do país enfrenta agravamento do cenário, algumas experiências mostram resultados positivos. O Espírito Santo se tornou referência no combate ao feminicídio, com redução dos casos e a marca de 600 dias sem registros do crime na capital, Vitória.
Entre as iniciativas adotadas está a Casa Rosa, centro de acolhimento que oferece atendimento integrado a mulheres vítimas de violência, além de suporte a familiares, crianças e jovens impactados pelo ciclo de agressões. Especialistas apontam que políticas articuladas de prevenção, acolhimento e resposta rápida podem ser decisivas para frear o avanço da violência de gênero no país.