Justiça considera rapper Oruam foragido após ordem de prisão preventiva

Mandado foi expedido após STJ revogar habeas corpus por descumprimento de cautelares

O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, passou a ser considerado foragido da Justiça após a 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro expedir mandado de prisão preventiva. A decisão ocorreu depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou a liminar que mantinha o artista em liberdade provisória.

Foto: Reprodução | Instagram | Oruam
Oruam

A revogação do habeas corpus foi assinada na segunda-feira (2) pelo ministro Joel Ilan Paciornik, que apontou descumprimentos reiterados das medidas cautelares impostas ao réu, especialmente no uso da tornozeleira eletrônica. Com a decisão do STJ, a juíza Tulla Corrêa de Mello determinou a retomada imediata da prisão preventiva.

Agentes da Polícia Civil realizam buscas em endereços ligados ao rapper, mas até o momento ele não foi localizado. Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Oruam utiliza tornozeleira eletrônica desde 30 de setembro de 2025 e, a partir de 1º de novembro, passou a acumular sucessivas violações das regras de monitoramento.

Ao todo, foram registradas 66 ocorrências relacionadas ao descumprimento das cautelares, sendo 21 consideradas graves apenas em 2026. A maioria dos episódios está associada à ausência de carregamento da bateria do equipamento, o que inviabilizou o acompanhamento contínuo da medida judicial.

Em 9 de dezembro, o cantor compareceu à Central de Monitoração Eletrônica para substituição da tornozeleira. O equipamento retirado foi submetido à perícia técnica, que constatou dano eletrônico, possivelmente causado por impacto. Mesmo após a troca, o novo dispositivo voltou a apresentar falhas e, desde 1º de fevereiro, permanece descarregado, conforme informou a Seap.

As irregularidades foram comunicadas ao Poder Judiciário por meio de relatórios mensais encaminhados à Terceira Vara Criminal. Na decisão, o ministro do STJ destacou que o histórico de descumprimentos compromete a efetividade das medidas alternativas à prisão, justificando o restabelecimento da custódia preventiva.

A defesa de Oruam sustenta que as falhas no monitoramento decorreram de problemas técnicos e nega intenção de descumprir as determinações judiciais.

O processo criminal tem origem em fatos ocorridos em 22 de julho de 2025, no bairro do Joá, na zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com denúncia do Ministério Público, o rapper e outros envolvidos são acusados de duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis que cumpriam mandado de busca e apreensão em sua residência. Os agentes relataram ter sido atingidos por pedras arremessadas do andar superior do imóvel.

Com a nova decisão judicial, o mandado de prisão preventiva segue em vigor até o cumprimento pela Polícia Civil. A CNN Brasil informou que tentou novo contato com a defesa do artista, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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