Juiz determina prisão de jornalista condenado após caso Zambelli

Medida foi motivada pelo não pagamento de indenização por difamação

O jornalista Luan Araújo teve a prisão em regime aberto determinada pela Justiça de São Paulo após deixar de pagar uma indenização por difamação relacionada a publicações feitas depois do episódio em que foi perseguido com uma arma pela então deputada federal Carla Zambelli, em 2022.

Foto: Reprodução
Carla Zambelli durante perseguição armada ao jornalista Luan Araújo em São Paulo, em 2022.

A decisão foi assinada pelo juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro da Barra Funda, na capital paulista. Segundo o magistrado, a pena restritiva de direitos imposta anteriormente deve ser convertida em privação de liberdade devido ao descumprimento da obrigação de pagamento estabelecida na sentença.

Araújo foi processado por Zambelli após publicar críticas à então parlamentar nas redes sociais e em textos produzidos depois da perseguição ocorrida às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Embora tenha sido absolvido da acusação de injúria, ele acabou condenado por difamação e obrigado a indenizar a ex-deputada.

Com a atualização de multas e custas processuais, o valor devido supera R$ 2,2 mil. Na decisão, o juiz destacou que o jornalista foi regularmente intimado para cumprir a obrigação financeira, mas não efetuou o pagamento.

Após a determinação judicial, Araújo classificou a condenação como injusta e afirmou enfrentar dificuldades financeiras e pessoais. Em manifestação publicada nas redes sociais, ele disse não ter recursos para quitar a dívida e criticou o contraste entre sua situação e a de Zambelli, que permanece na Itália após obter decisão favorável na Justiça daquele país contra sua extradição.

O episódio que deu origem à disputa judicial ocorreu em outubro de 2022, quando Zambelli sacou uma arma e perseguiu Araújo por ruas da capital paulista após uma discussão. A cena foi registrada por testemunhas e teve ampla repercussão nacional.

Em julgamento posterior, o Supremo Tribunal Federal condenou a ex-deputada a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. A condenação tornou-se definitiva.

Zambelli também responde por outro caso que resultou em pena de 10 anos de prisão pela invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça. Após deixar o Brasil, ela passou a residir na Itália. O pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras chegou a ser acolhido em instâncias iniciais da Justiça italiana, mas foi posteriormente derrubado pela Corte de Apelação de Roma.

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