A Polícia Federal afirmou, em novembro de 2025, ter reunido indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro sabia antecipadamente da investigação sobre o Banco Master antes da operação que resultou em sua prisão.
A informação veio a público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Master. A medida foi tomada na noite de quinta-feira (11), após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
Mendonça, porém, manteve sob sigilo parte do material, principalmente diligências que ainda estão em andamento. A investigação sobre o Banco Master envolve diferentes agentes políticos.
De acordo com a PF, Vorcaro não teria apenas conhecimento da existência do inquérito, mas também de informações sobre a condução da investigação. Entre os dados que, segundo a corporação, chegaram ao banqueiro estavam a vara responsável pelo caso, o nome do juiz e de integrantes da equipe de investigação.
A informação consta de um pedido de prorrogação do inquérito apresentado pela PF em novembro de 2025. No documento, a delegada responsável pela apuração afirma que os indícios reforçavam a suspeita de que Vorcaro pretendia deixar o país para evitar uma possível prisão.
O documento, no entanto, não esclarece como o banqueiro teria obtido as informações nem aponta quem poderia ter repassado os dados. Também não afirma que ele soubesse a data em que a operação seria realizada.
Vorcaro foi preso inicialmente na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025. A investigação apurava suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo a PF, o ponto central da apuração é que Vorcaro teria tido acesso, antes da deflagração da operação, a informações que deveriam permanecer protegidas pelo sigilo judicial. As circunstâncias que permitiram esse acesso ainda fazem parte da investigação.