O ex-deputado distrital Carlos Xavier foi condenado pelo Tribunal do Júri do Distrito Federal a 14 anos e 3 meses de prisão pela morte do adolescente Ewerton Ferreira, de 16 anos. A sentença foi anunciada pouco depois das 3h desta quinta-feira (24), encerrando uma ação que se arrastava havia mais de duas décadas.
Xavier era deputado distrital na época do assassinato, ocorrido em 2004, e foi apontado pela investigação como mandante do crime. Durante o julgamento, ele negou qualquer participação na morte do adolescente e sustentou que foi alvo de uma articulação para incriminá-lo.
O ex-parlamentar é candidato a deputado distrital e, por esse motivo, a prisão para o cumprimento da pena deverá ocorrer após o período eleitoral, conforme as regras aplicáveis ao caso. A previsão é de que, posteriormente, ele seja encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Durante o interrogatório, que durou mais de uma hora, Xavier chorou em duas ocasiões. Ele afirmou aos jurados que integrantes da cúpula da Polícia Civil do Distrito Federal e autoridades políticas teriam elaborado uma estratégia para retirá-lo da vida pública.
Ao iniciar seu depoimento, o ex-deputado falou sobre a infância, a trajetória profissional, a religião e o casamento. Também mencionou a relação que mantinha com Ewerton e com os familiares do adolescente.
“Conhecia ele e a família dele. Éramos irmãos da mesma congregação”, declarou Xavier.
Segundo os autos, a investigação apontou o então deputado como responsável por ordenar o assassinato. A motivação atribuída ao crime teria sido uma suposta vingança relacionada à suspeita de que Ewerton mantinha um relacionamento com a mulher de Xavier.
O ex-deputado contestou essa versão. Ele reconheceu que havia descoberto uma traição durante o casamento, mas afirmou que o homem envolvido era outra pessoa, identificada por ele como Renan.
Xavier relatou aos jurados que, após descobrir a suposta traição, decidiu se divorciar e obteve judicialmente a guarda das três filhas. Posteriormente, segundo seu depoimento, permitiu que as meninas voltassem a morar com a mãe.
A investigação passou a relacionar Xavier ao assassinato cerca de oito meses depois do crime. Um dos presos durante as diligências, identificado como Leandro, teria afirmado que recebeu R$ 15 mil para executar o adolescente e, posteriormente, apontado o ex-deputado como mandante.
A defesa sustentou que o depoimento de Leandro foi resultado de uma articulação envolvendo políticos, delegados e agentes da Polícia Civil. Os advogados questionaram especialmente um episódio ocorrido na carceragem onde o homem estava preso.
De acordo com a defesa, três agentes permaneceram na cela de Leandro entre as 19h e as 22h. No dia seguinte, ele teria solicitado um novo depoimento e indicado Xavier como responsável por ordenar o assassinato.
Durante o julgamento, o ex-deputado também afirmou que teria recebido de policiais uma proposta de R$ 500 mil para que a autoria do crime fosse atribuída à sua ex-mulher. Segundo Xavier, a denúncia foi encaminhada à Corregedoria, mas não houve providências.
A acusação e a defesa apresentaram seus argumentos aos jurados após o interrogatório. Ao final, o Tribunal do Júri decidiu pela condenação de Carlos Xavier a 14 anos e 3 meses de prisão.