A três meses da COP30, Belém enfrenta desafios logísticos e de hospedagem

Cidade-sede da conferência global sobre o clima lida com críticas e prepara estrutura

Faltando apenas três meses para a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a cidade de Belém, no Pará, intensifica os preparativos para receber o evento, que acontece de 10 a 21 de novembro. A cúpula de chefes de Estado está marcada para os dias 6 e 7. A expectativa é de que cerca de 50 mil pessoas participem, incluindo delegações de 196 países. No entanto, o alto custo das hospedagens tem gerado críticas, inclusive com pedidos para que a conferência seja transferida de local — hipótese já descartada pelo governo federal.

Foto: Fabiola Sinimbú/Agência Brasi

O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, reafirmou que Belém é o local ideal para sediar a conferência e destacou o esforço do governo em garantir uma COP inclusiva. O ministro do Turismo, Celso Sabino, também garantiu que todas as delegações terão acesso a hospedagem a preços justos. Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, criticou os valores cobrados por hotéis da capital paraense, chamando a prática de “absurdo” e “achaque”. Para mitigar o problema, foi criada uma plataforma com milhares de quartos acessíveis, voltada especialmente a países menos desenvolvidos.

O calendário oficial da conferência já foi divulgado e inclui mais de 30 temas divididos em dias temáticos, distribuídos entre as chamadas Zonas Azul e Verde. Os temas estão alinhados aos seis eixos da Agenda de Ação da COP30, abrangendo áreas como energia, biodiversidade, agricultura, cidades, desenvolvimento social e questões transversais. A diretora executiva da COP30, Ana Toni, destacou que o objetivo é incentivar a participação de diversos setores da sociedade, como cientistas, prefeitos, artistas e jovens.

Além da logística e infraestrutura, o governo também prepara uma estrutura especial de atendimento de saúde para o evento. Segundo o Ministério da Saúde, o SUS atuará em todos os níveis de complexidade, com postos médicos temporários montados no local da conferência. A operação será monitorada por meio do Centro Integrado de Operações Conjuntas em Saúde (CIOCS), modelo já utilizado em grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A COP30 deve marcar um momento decisivo para as negociações climáticas globais — e também para a capacidade do Brasil de sediar um evento dessa magnitude.

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