Possível El Niño intenso amplia alerta climático no Brasil

Fenômeno pode agravar enchentes, secas e ondas de calor em 2026

O aumento das temperaturas no Oceano Pacífico reacendeu o temor de um novo episódio forte de El Niño em 2026. Embora cientistas ainda evitem classificar o fenômeno como um “super El Niño”, especialistas alertam que seus efeitos podem ser mais severos devido ao aquecimento global e à alta temperatura dos oceanos.

Foto: Reprodução Movimiento Ciudadano frente al Cambio Climático
Aquecimento do Pacífico aumenta temor de eventos climáticos extremos no Brasil.

O planeta mais quente elevou a preocupação da comunidade científica sobre os impactos climáticos do próximo ciclo de El Niño. O fenômeno, associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, já apresenta sinais de fortalecimento e pode provocar eventos extremos em diferentes regiões do mundo — especialmente no Brasil.

Dados recentes do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos apontam 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho de 2026. A chance de o fenômeno persistir até o início de 2027 chega a 96%.

O alerta ganhou força após medições indicarem áreas do oceano com temperaturas até 6 °C acima da média histórica. Para especialistas, esse aquecimento representa um volume incomum de energia circulando pela atmosfera e aumenta o risco de alterações severas no clima global.

Segundo o cientista climático Paulo Artaxo, o principal fator de preocupação é que o fenômeno ocorre em um contexto de crise climática já avançada.

“O El Niño faz o clima sair da normalidade, mas agora ele atua sobre um planeta muito mais quente”, afirmou o pesquisador em entrevista à revista EXAME.

No Brasil, os impactos tendem a ocorrer de forma desigual. Historicamente, o Sul registra aumento das chuvas e maior risco de enchentes, enquanto regiões da Amazônia, Nordeste e Centro-Oeste enfrentam seca prolongada, calor extremo e crescimento dos incêndios florestais.

O último episódio forte do fenômeno coincidiu com eventos severos no país, como a seca histórica na Amazônia, os incêndios no Pantanal e as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.

Além dos danos ambientais, especialistas alertam para efeitos diretos sobre agricultura, abastecimento de água, produção de energia e preços de alimentos. O temor é que a combinação entre El Niño e aquecimento global amplifique os prejuízos econômicos e sociais.

O Cemaden também vem monitorando o avanço das temperaturas e já alertou para o risco de ondas de calor recordes e um possível “desastre térmico” no país.

Apesar da preocupação crescente, cientistas afirmam que ainda é cedo para confirmar um “super El Niño”. Isso porque previsões feitas entre março e maio costumam apresentar maior margem de erro, fenômeno conhecido na meteorologia como “barreira de previsibilidade da primavera”.

Atualmente, a principal área usada para medir a intensidade do fenômeno, chamada região Niño 3.4, registra temperatura cerca de 0,4 °C acima da média — índice ainda abaixo do necessário para oficializar um evento intenso.

Mesmo assim, parte dos modelos climáticos internacionais já projeta aquecimento mais acelerado nos próximos meses. Algumas simulações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indicam possibilidade de temperaturas superiores a 2,5 °C no Pacífico Equatorial até o fim do ano.

Para especialistas, independentemente da intensidade final do fenômeno, o Brasil segue vulnerável diante do avanço das mudanças climáticas e da falta de adaptação da infraestrutura urbana e ambiental.

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