A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada das Nações Unidas, alertou que a probabilidade de formação do fenômeno El Niño até novembro supera 90%, aumentando o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do planeta nos próximos meses.
Segundo a entidade, a maioria dos modelos climáticos indica condições favoráveis para o desenvolvimento de um episódio de intensidade moderada a forte. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões atmosféricos e influenciando o regime de chuvas e temperaturas em escala global.
A diretora-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que governos e sistemas de proteção precisam se preparar para impactos como secas prolongadas, chuvas intensas e aumento da frequência de ondas de calor em áreas continentais e oceânicas.
Dados recentes apontam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico centro-oriental já se aproxima dos níveis considerados característicos do El Niño. Além disso, medições realizadas abaixo da superfície registraram temperaturas significativamente acima da média histórica, reforçando os sinais de consolidação do fenômeno.
A OMM destaca que mesmo eventos classificados como moderados podem provocar consequências expressivas. O último episódio de El Niño contribuiu para o aumento das temperaturas globais, influenciando recordes recentes de calor observados em diferentes partes do mundo.
Embora não haja consenso científico de que as mudanças climáticas estejam tornando o fenômeno mais frequente ou mais intenso, a organização alerta que o aquecimento global tende a potencializar seus efeitos. Atmosfera e oceanos mais quentes aumentam a disponibilidade de energia e umidade, favorecendo episódios mais severos de calor extremo, tempestades e alterações nos padrões de precipitação.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a aproximação do fenômeno como um alerta para a necessidade de ampliar medidas de adaptação climática e fortalecer sistemas de monitoramento e resposta a desastres.
As projeções da OMM indicam que os meses entre junho e agosto deverão registrar temperaturas acima da média em grande parte do planeta. Em algumas regiões, o cenário pode agravar quadros de seca e escassez hídrica, enquanto outras poderão enfrentar aumento da ocorrência de chuvas intensas e tempestades.
Especialistas também monitoram possíveis impactos sobre as temporadas de furacões e monções, que costumam ser influenciadas pelas alterações nas temperaturas do Pacífico. Os efeitos mais significativos do El Niño, porém, tendem a ser sentidos entre o fim deste ano e o início de 2027, período em que o fenômeno normalmente atinge sua máxima intensidade.