Mundo tem 1 bilhão de pessoas a mais sob calor extremo, aponta estudo

América do Sul está entre as regiões com maior aumento da sensação térmica

O número de pessoas expostas ao calor extremo no planeta cresceu significativamente nas últimas décadas. Um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change estima que cerca de 1 bilhão de pessoas a mais enfrentam atualmente pelo menos um dia de calor extremo por ano em comparação com os anos 1970.

Foto: Adriano Machado/Reuters
Estudo indica avanço do calor extremo e aumento da exposição da população mundial às altas temperaturas.

A pesquisa identificou que a parcela da população mundial sujeita a esse tipo de condição passou de 16% para 22% ao longo do período analisado. O levantamento também aponta que o aumento das temperaturas ocorre de forma simultânea durante o dia e à noite, ampliando os riscos à saúde e reduzindo o tempo de recuperação do organismo.

Conduzido por pesquisadores do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), o estudo analisou dados globais de estresse térmico entre 1950 e 2024. Os cientistas compararam os resultados da última década com os registros da década de 1970, considerada um marco para a aceleração do aquecimento observado em diversas regiões do planeta.

Um dos principais achados da pesquisa é que as noites mais quentes estão aquecendo em ritmo superior ao dos dias mais quentes. Segundo os autores, a maior concentração de gases de efeito estufa dificulta a perda de calor durante a noite, impedindo que o ambiente resfrie adequadamente.

Os pesquisadores alertam que a ausência desse período de alívio térmico prolonga o estresse sobre o corpo humano e pode agravar problemas de saúde, especialmente entre grupos mais vulneráveis.

Na América do Sul, os efeitos do aquecimento também se intensificaram. O estudo aponta que a sensação térmica máxima nos dias mais quentes aumentou entre 2°C e 4°C em grande parte do continente desde os anos 1970. Durante a noite, a temperatura percebida subiu entre 1°C e 3°C no mesmo período.

O Brasil aparece entre os países impactados por esse cenário. Em regiões subtropicais do continente, incluindo áreas do Sul e Sudeste brasileiros, houve aumento de até 50 dias por ano com calor classificado entre forte e extremo. Já no norte da América do Sul, foram registrados até 80 dias adicionais de calor muito intenso em comparação com os padrões observados há cinco décadas.

O levantamento também identificou crescimento dos chamados eventos compostos, quando dias de calor intenso são seguidos por noites igualmente quentes. Nesses casos, o organismo tem menos tempo para se recuperar, elevando os riscos associados à exposição prolongada às altas temperaturas.

De acordo com os pesquisadores, embora o crescimento populacional tenha contribuído para ampliar o número de pessoas expostas ao calor, os impactos mais severos e duradouros estão cada vez mais associados às mudanças climáticas. A tendência, segundo o estudo, é de aumento da frequência e da intensidade desses eventos em diversas regiões do mundo.

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