Denúncias de violência digital contra mulheres crescem 188%
Casos registrados pelo Ligue 180 colocam ambiente virtual entre os principais locais de agressão
As denúncias de violência contra mulheres praticadas no ambiente digital quase triplicaram nos primeiros cinco meses de 2026, segundo dados da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. Entre janeiro e maio, foram registradas 16.725 ocorrências, um aumento de 188,6% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O crescimento fez com que o ambiente virtual avançasse entre os principais locais de ocorrência relatados pelas vítimas. Antes ocupando a sétima posição, o espaço digital passou a figurar como o quinto cenário mais frequente de violência denunciada à central.
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Entre os crimes registrados estão ameaças, difamação, perseguição virtual, invasão de contas, divulgação não autorizada de imagens íntimas, produção de conteúdos falsos com uso de inteligência artificial, descumprimento de medidas protetivas e violência sexual.
O avanço dos registros ocorre em meio a esforços para ampliar a conscientização sobre formas de agressão praticadas na internet e incentivar a formalização das denúncias. O Ministério das Mulheres também atualizou os protocolos de atendimento do Ligue 180 e iniciou treinamentos voltados às equipes responsáveis pelo acolhimento das vítimas.
Dados da pasta indicam que apenas cerca de 30% dos contatos recebidos pela central resultam em denúncias formais. A maior parte dos atendimentos é destinada à orientação das mulheres sobre situações vividas e aos caminhos disponíveis para buscar proteção e apoio.
Levantamentos de 2025 mostram que mulheres negras representaram 48% das vítimas de violência digital atendidas pelo serviço, enquanto mulheres brancas corresponderam a 34,2% dos registros. A faixa etária de 25 a 49 anos concentrou pouco mais da metade das ocorrências, e cerca de 46% das vítimas estavam sem renda ou recebiam até um salário mínimo.
Além do acolhimento, a central oferece orientações para preservação de provas digitais, solicitação de remoção de conteúdos em plataformas online e encaminhamento para registro criminal e rede de proteção.
O governo federal também defende o fortalecimento da legislação voltada ao combate à violência de gênero no ambiente virtual e busca ampliar a integração do Ligue 180 com estados que ainda não possuem cooperação técnica com o serviço. A medida pretende facilitar o encaminhamento das vítimas para atendimento psicológico, assistência social, segurança pública e programas de autonomia econômica.
Fonte: SBT News