Destruição da Amazônia ameaça ciclo de chuvas em parte da América do Sul

Desmatamento, queimadas e aquecimento global aumentam risco de secas prolongadas

A devastação da Amazônia já provoca impactos sobre o sistema natural responsável por distribuir umidade e chuva por diferentes regiões da América do Sul, segundo cientistas ouvidas pela Agência Brasil. Conhecida como a maior “máquina de chuva” do planeta, a floresta recebe umidade do oceano, que é transformada em vapor pelas árvores e transportada pelos ventos para outras áreas do continente. Uma árvore adulta pode liberar entre 200 e 300 litros de água por dia para a atmosfera, contribuindo para a formação dos chamados “rios voadores”.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O alerta é de que atividades como desmatamento, queimadas, mineração e narcotráfico estão afetando a conectividade entre os diferentes ecossistemas amazônicos. De acordo com as pesquisadoras, já existem evidências de que o desmatamento na Amazônia brasileira está associado à redução das chuvas em regiões do Brasil e da Bolívia. Nas áreas atingidas, as temperaturas também aumentaram e os períodos de seca ficaram mais intensos e prolongados, ampliando a pressão sobre a vegetação e os recursos hídricos.

Os efeitos também são agravados pelo aquecimento global e por fenômenos climáticos como o El Niño. Em 2024, a Amazônia enfrentou uma seca histórica, que atingiu 88% da bacia amazônica e contribuiu para problemas de abastecimento de água em cidades como Bogotá, na Colômbia, e Quito, no Equador. A estiagem também deixou a floresta mais vulnerável às queimadas, cuja fumaça se espalhou por diferentes regiões do Brasil. As cientistas ainda demonstram preocupação com a possibilidade de um super El Niño em 2026, diante dos riscos de novas secas severas.

Para as pesquisadoras, a perda da conectividade da Amazônia pode levar o bioma a um ponto de não retorno e provocar consequências para todo o planeta. Além da redução das emissões de gases de efeito estufa e da substituição de combustíveis fósseis por fontes menos poluentes, elas defendem a recuperação de áreas degradadas e a restauração de regiões desmatadas. A preservação da floresta é considerada essencial não apenas para a biodiversidade, mas também para a manutenção dos ciclos de água, nutrientes e carbono que sustentam cidades, atividades agrícolas e outros setores da economia na América do Sul.

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