Investigações da Polícia Civil do Piauí, que culminaram na Operação Carbono Oculto 86, revelaram que empresários e membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) construíram uma central para adulterar e distribuir combustíveis destinada aos quase 50 postos sob controle do grupo. A estrutura, localizada na estrada do município de Altos, estava em obras e foi interditada após a deflagração da operação nesta quarta-feira (5).
Segundo o promotor de Justiça José William Luz, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPPI), o local seria usado para centralizar o esquema de adulteração.
“Eles iriam inovar com esse posto de distribuição. Esse imóvel encontra-se interditado, e agora vamos investigar se iriam utilizá-lo como ponto de adulteração de combustível”, afirmou.
O secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, detalhou o funcionamento da estrutura.
“Eles compravam combustível de qualidade, mas precisavam de um local para fazer a adulteração. Essa estrutura serviria para fornecer o produto adulterado aos 49 postos, tornando o esquema operacionalmente viável”, explicou.
Durante as buscas, os agentes apreenderam fórmulas e planilhas com proporções usadas para adulterar combustíveis, combinando gasolina, nafta e álcool, além de cálculos com o custo da operação.
A Operação Carbono Oculto 86 também identificou ligações diretas entre empresários locais e operadores financeiros investigados pela operação nacional “Carbono Oculto”, conduzida em conjunto por Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo e Polícia Militar paulista, que desarticulou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Ao todo, 49 postos de combustíveis foram interditados por decisão judicial. No Piauí, as ações ocorreram em Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira. No Maranhão, em Peritoró, Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras, e em São Miguel do Tocantins (TO).
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e o alcance financeiro do esquema, que envolvia empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs usados para ocultar o patrimônio e movimentar capitais ilícitos.