A operação Poço de Lobato, deflagrada na manhã desta quinta-feira (27) por uma força-tarefa composta por promotores, auditores fiscais e policiais, apreendeu mais de R$ 2 milhões em espécie em dois endereços da capital paulista. A ação também encontrou oito sacos com esmeraldas avaliadas em cerca de R$ 11 mil cada em uma empresa de Campinas, no interior de São Paulo, além de um laudo que confirma se tratar de material bruto.
Os mandados integram uma investigação sobre um amplo esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro atribuído ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, sediada no Rio de Janeiro. De acordo com a Receita Federal, o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores em paraísos fiscais para ocultar lucros e blindar patrimônio.
As buscas ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. O grupo, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é apontado como o maior devedor de ICMS de São Paulo, o segundo maior do Rio e um dos maiores do país. Até a última atualização, a defesa não havia se manifestado.
Segundo os investigadores, o esquema funcionava a partir da subdeclaração de combustíveis importados, registrados como derivados de petróleo de menor tributação. Entre 2020 e 2025, mais de R$ 32 bilhões em combustíveis foram importados pelo grupo. A fraude se estendia por toda a cadeia de comercialização, envolvendo importadoras, formuladoras, distribuidoras e postos de combustíveis.
A atuação da Refit está no centro de outras operações. Na Cadeia de Carbono, quatro navios com 180 milhões de litros de combustível foram retidos, e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) interditou a refinaria por suspeitas de irregularidades, como ausência de comprovação do processo de refino e uso de aditivos químicos não autorizados. Após breve reabertura por decisão da Justiça do Rio, o Superior Tribunal de Justiça determinou nova interdição em 29 de outubro.
A Receita identificou inicialmente 17 fundos de investimento ligados ao grupo, somando patrimônio líquido de R$ 8 bilhões. Posteriormente, verificou-se a existência de aproximadamente 50 fundos, muitos deles em paraísos fiscais, inclusive no estado americano de Delaware. As estruturas eram usadas para ocultar beneficiários finais, com trocas constantes de sócios e empresas.
As investigações seguem sob sigilo, e os nomes de empresas envolvidas não foram divulgados. Segundo o promotor Alexandre Castilho, não há indícios da participação de facções criminosas no esquema.