Um médico identificado como Matheus, de 27 anos, foi retirado, nesta quarta-feira (22), de uma clínica de reabilitação no município de Altos, após relatar que estava internado contra a própria vontade há cerca de 40 dias. Ele foi encaminhado à Central de Flagrantes de Teresina.
Segundo o próprio médico, a internação teria sido motivada por sua orientação sexual, e não por dependência química, como alegado por familiares. Ele afirma que foi levado ao local após se declarar homossexual.
De acordo com a advogada Juliana Irineu, que acompanhou o caso, ele estava internado há 40 dias e só conseguiu acesso ao mundo externo após subornar um dos funcionários da clínica. "Ele foi internado a força sem qualquer decisão judicial que autorizasse isso. Ele é um médico, lúcido e capaz. A família internou ele com medo da exposição devido à sexualidade dele", afirma..
Matheus é filho de um ex-vereador e uma atual vereadora do município de Paulistana, no interior do estado. A advogada de Matheus ainda relatou que recebeu ameaças dos pais do médico, alegando que iriam "acabar com a vida dela" por estar expondo o caso à mídia.
Além do médico, representantes da clínica foram levados à delegacia para prestar esclarecimentos. Segundo a advogada, os pais do jovem não compareceram à unidade policial por medo da exposição.
Após prestar depoimento, o médico deixou a Central de Flagrantes. A Polícia Civil não se pronunciou até o momento. O caso deve ser investigado.