Dez pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira (15) durante a Operação Chip Falso, deflagrada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e invasões de sistemas. A ação, coordenada pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), cumpriu 30 mandados judiciais, entre prisões temporárias e buscas e apreensões, além de recolher celulares, computadores e outros equipamentos utilizados pelo grupo.
Segundo o delegado Humberto Mácola, os investigados utilizavam a técnica conhecida como SIM Swap, que consiste na transferência fraudulenta da linha telefônica da vítima para um chip controlado pelos criminosos. Com acesso ao número, a quadrilha conseguia assumir contas de WhatsApp, redes sociais e aplicativos bancários, realizando transferências indevidas, clonagem de cartões de crédito e aplicando golpes contra familiares e contatos das vítimas. A investigação aponta que ao menos 50 pessoas foram lesadas em diversos estados do país.
As investigações revelaram que a central operacional da organização funcionava em uma residência em Teresina. No local, os criminosos utilizavam documentos falsificados, dados pessoais, biometria facial manipulada e até imagens geradas por inteligência artificial para burlar sistemas de validação de identidade. De acordo com a Polícia Civil, cerca de 100 pessoas também teriam cedido voluntariamente documentos e informações biométricas em troca de vantagens financeiras, podendo responder criminalmente por participação no esquema.
A Polícia Civil informou que as investigações terão continuidade para identificar outros integrantes da organização e possíveis ramificações em diferentes estados. O delegado Humberto Mácola orientou que qualquer perda repentina do sinal do telefone celular pode indicar uma fraude em andamento e recomendou que o usuário entre imediatamente em contato com a operadora. A SSP-PI também reforçou o alerta para que a população nunca compartilhe documentos, senhas ou biometria facial com terceiros, a fim de evitar novos golpes.