Operação do MP mira operadores financeiros suspeitos de ligação com o PCC

Ação cumpre 18 prisões e 18 buscas contra grupo acusado de ocultar e movimentar dinheiro da facção

O Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Janus nesta segunda-feira para cumprir 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra operadores financeiros suspeitos de atuar para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação apura a existência de uma estrutura clandestina utilizada para movimentar, ocultar e disponibilizar recursos ligados à facção criminosa.

Foto: Guillermo Salgado/AFP

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os investigados recebiam dinheiro em espécie e realizavam transferências bancárias por meio de empresas, contas de terceiros e pessoas jurídicas de fachada. A suspeita é de que o esquema tinha como finalidade inserir os recursos no sistema financeiro com aparência de legalidade.

Entre os investigados está Alexandre Salles Brito, conhecido como Buiu. Ele é apontado pela investigação como um dos responsáveis por movimentações de grandes valores dentro de um esquema chamado de "TED por vivo".

Outro nome citado na apuração é o de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, apontado como chefe do tráfico na Favela do Moinho e preso em 2024. Segundo os investigadores, ele estaria entre os principais clientes da rede de operadores financeiros.

A investigação aponta ainda que integrantes do grupo adquiriam bens em seus próprios nomes para evitar que membros da facção aparecessem diretamente nas transações. Em troca, receberiam pagamentos em dinheiro.

Os operadores também são suspeitos de participar de reuniões destinadas a solucionar conflitos patrimoniais submetidos ao crime organizado. Entre os casos investigados está uma disputa envolvendo imóveis de alto padrão na Riviera de São Lourenço, no litoral de São Paulo.

A apuração avançou após a obtenção de áudios relacionados a um chamado "tribunal do crime". O material teria permitido aos investigadores identificar integrantes, conexões e regras internas atribuídas à organização criminosa.

A Justiça autorizou ainda o bloqueio de até R$ 10 milhões por investigado. A medida pode alcançar imóveis, veículos, contas bancárias e aplicações financeiras.

Documentos apreendidos durante a investigação também apontam possíveis relações entre operadores financeiros suspeitos de ligação com o PCC e oficiais de alta patente da Polícia Militar. Áudios e planilhas analisados pelo Ministério Público registrariam contatos próximos e possíveis repasses de dinheiro.

Os policiais citados nos documentos não são alvos da Operação Janus e, segundo as informações divulgadas, não foram denunciados nem formalmente acusados de envolvimento nos crimes investigados.

De acordo com informações divulgadas pelo portal g1, os empresários Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza teriam utilizado contatos com comandantes e diretores da Polícia Militar para buscar proteção e apoio estratégico. Entre os nomes mencionados nos documentos estão os coronéis Pereira Martins e José Augusto Coutinho, além de um oficial identificado como Patrício.

Ainda segundo a investigação, os supostos repasses de dinheiro eram chamados de "ticketagem".

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