Primavera começa na terça-feira com equinócio às 21h05

Estação marca dias gradualmente mais longos e mudança no regime de chuvas

Por Viviane Setragni,

A primavera de 2026 começa oficialmente na próxima terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília. O momento marca o equinócio de primavera no Hemisfério Sul e o equinócio de outono no Hemisfério Norte. A estação seguirá até 21 de dezembro, quando terá início o verão.

Foto: FlickrOK

Embora a chegada da primavera seja associada ao florescimento das plantas e à mudança no comportamento dos animais, o fenômeno é determinado pela posição da Terra em relação ao Sol. As estações do ano resultam principalmente da inclinação do eixo de rotação terrestre e do movimento de translação do planeta ao redor do Sol.

Segundo a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, o eixo inclinado da Terra mantém praticamente a mesma orientação enquanto o planeta percorre sua órbita. Com isso, diferentes regiões do planeta recebem os raios solares de maneira distinta ao longo do ano.

O instante que determina o início de uma estação corresponde a uma posição específica da Terra em sua órbita. No equinócio de setembro, o Sol cruza o equador celeste, que corresponde à projeção do equador terrestre sobre a esfera celeste, passando do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul.

Por esse motivo, enquanto no Hemisfério Sul começa a primavera, no Hemisfério Norte tem início o outono.

Outra característica do equinócio é a duração semelhante do dia e da noite. A partir do início da primavera, no Hemisfério Sul, os dias passam gradualmente a ficar mais longos e as noites mais curtas. Essa diferença aumenta até o solstício de verão, previsto para 21 de dezembro deste ano.

A duração dos dias também varia conforme a distância em relação ao equador. Nas regiões próximas à linha do equador, a diferença entre a duração do dia e da noite ao longo do ano é pequena. Quanto maior a distância em relação ao equador, maior tende a ser essa variação.

A posição do nascimento e do pôr do Sol também muda durante o ano. Nos equinócios, o Sol nasce aproximadamente no ponto cardeal leste e se põe aproximadamente no ponto cardeal oeste. Nos solstícios, os pontos de nascimento e ocaso atingem seus maiores afastamentos em relação ao leste e ao oeste.

A primavera também traz mudanças nas condições meteorológicas de diferentes regiões do Brasil. De acordo com o meteorologista Fabio Pinto da Rocha, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o período deve ser marcado por uma transição gradual do regime mais seco, comum ao outono e ao inverno em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Centro-Norte do país, para períodos com maior ocorrência de chuva.

A partir de outubro, são esperados períodos com volumes maiores de precipitação. As chuvas devem ocorrer principalmente na forma de pancadas localizadas, que podem vir acompanhadas de raios, rajadas de vento e, em alguns casos, granizo.

Essas condições podem provocar alagamentos, quedas de árvores, danos em estruturas e outros transtornos em áreas atingidas. Por isso, o INPE recomenda o acompanhamento das previsões meteorológicas e dos avisos emitidos pelos órgãos de Defesa Civil.

O meteorologista também chama atenção para a possibilidade de períodos de vários dias de sol e temperaturas elevadas durante a estação. Em determinadas situações, o calor pode vir acompanhado de baixa umidade relativa do ar durante a tarde.

Nesses períodos, crianças, idosos e animais de estimação exigem atenção especial. Entre os cuidados recomendados estão manter uma boa hidratação, utilizar proteção solar e evitar a exposição direta ao sol durante as horas mais quentes do dia, especialmente entre 10h e 16h.

Apesar de o calendário indicar uma data determinada, os equinócios e solstícios não acontecem exatamente no mesmo dia todos os anos. A primavera pode começar em 22 ou 23 de setembro, dependendo do ano.

A variação está relacionada à diferença entre o ano trópico, utilizado como referência para as estações, e o ano sideral, relacionado ao período de translação da Terra em torno do Sol. O calendário gregoriano procura ajustar essa diferença por meio dos anos bissextos.

Pelas regras do calendário, os anos divisíveis por quatro são bissextos, com exceção dos anos de século que não sejam divisíveis por 400. O mecanismo mantém o calendário alinhado, ao longo do tempo, com o ciclo das estações.

Fonte: CNN Brasil

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