Dois ex-gerentes do Banco do Brasil são investigados pela suspeita de desviar R$ 4,4 milhões de contas bancárias de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a maioria já falecidos. O caso é alvo da Operação Desfalque, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí nesta quarta-feira (28), com cumprimento de mandados em Teresina e Goiânia (GO).
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam utilizado o acesso privilegiado aos dados dos clientes para alterar informações cadastrais, modificar senhas, emitir novos cartões e realizar saques das contas. O esquema teria funcionado entre 2023 e 2025 e atingido pelo menos 63 contas bancárias.
A fraude foi identificada após o próprio Banco do Brasil comunicar à Polícia Civil a ocorrência de movimentações consideradas suspeitas. As contas ainda possuíam valores depositados, mesmo após a morte dos titulares, e permaneciam sob guarda da instituição financeira.
Operação cumpriu mandados em dois estados
A ação foi coordenada pelo Departamento de Combate à Corrupção (Deccor), vinculado à Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Teresina e Goiânia.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores de aproximadamente R$ 4 milhões, com o objetivo de garantir uma eventual recuperação dos recursos. Durante as diligências, os policiais apreenderam celulares, notebooks, veículos e cartões bancários. Em um dos locais, foram encontrados 38 cartões.
Segundo a investigação, imagens de câmeras de segurança de agências bancárias também mostram os suspeitos realizando saques em terminais de autoatendimento. A polícia apura ainda a possível participação da esposa de um dos ex-gerentes, que teria efetuado retiradas de dinheiro das contas investigadas.
Investigação continua
A delegada Bernadete Santana, da Delegacia de Combate à Corrupção, informou que os valores eram retirados gradualmente. Em alguns casos, os saques variavam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil ao longo de vários dias, até que os recursos das contas fossem retirados.
Os dois ex-gerentes já haviam sido desligados do Banco do Brasil. Até a divulgação das informações sobre a operação, não havia registro de prisões. A Polícia Civil dará continuidade às diligências para esclarecer todos os detalhes do esquema e identificar possíveis outros envolvidos.
Os investigados ainda não foram condenados, e a apuração busca reunir elementos para determinar as responsabilidades pelos desvios.