Site vê tentativa de “terceiro turno” em denúncia sobre inserções em rádio

Denúncia teria ainda o objetivo de construir uma narrativa da campanha de Bolsonaro para obter uma espécie de terceiro turno

A denúncia de que houve perda de centenas de milhares de inserções em rádio para o presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, ocorreu após a prisão do Roberto Jefferson (PTB), apoiador do candidato do PL e que recebeu policiais federais a tiros de fuzil e granadas. Com isso, Jefferson saiu do foco e a campanha de Bolsonaro colocou na mídia e em redes sociais um debate em que se agarra para narrar desequilíbrio na disputa com chancela do Tribunal Superior Eleitoral.

Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil
Urna eletrônica

O colunista do portal UOL, José Roberto de Toledo, “a tentativa de homicídio de quatro agentes da Polícia Federal por Roberto Jefferson, fiel escudeiro de Bolsonaro, provocou 60% mais citações no Twitter do que a conquista da Copa do Brasil pelo Flamengo três dias antes”. Isso se configurou em um desastre para a campanha à reeleição, avalia o colunista, que percebeu na denúncia sobre a supressão de milhares de inserções em rádios, uma manobra diversionista da campanha de Bolsonaro para reduzir o impacto do atentado de Jefferson aos agentes federais.

Mas a denúncia teria ainda o objetivo de construir uma narrativa da campanha de Bolsonaro para obter uma espécie de terceiro turno. Segundo o jornal Folha de S Paulo, em sua edição desta quinta-feira, “a campanha de Bolsonaro pretende usar um relatório com diversas fragilidades sobre suposta supressão de inserções do presidente em rádios do Norte e do Nordeste como meio para estender o debate jurídico sobre a legitimidade das eleições”.

Segundo as jornalistas Carla Araújo e Letícia Casado, do Portal UOL, “o discurso, que está sendo construído desde segunda (24), ganhou força nesta quarta (26) e passou a substituir a narrativa anterior, que questionava a confiabilidade da urna eletrônica”.

Segundo o portal, as informações citadas pela campanha são contestadas por ao menos seis das oito rádios mencionadas pela equipe de Bolsonaro. 

Uma das emissoras, a rádio JM 95.5 FM, de Uberaba (MG), informou em nota que foi o PL, o partido do presidente Jair Bolsonaro, foi que deixou de mandar mapas de mídia e materiais de divulgação de campanha entre os dias 7 e 10 de outubro.

Leia também