Governo busca reverter desgaste político após derrota na CPMI do INSS

Palácio articula vice de confiança para conter oposição e evitar danos maiores

Após a derrota inesperada na eleição para a presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o governo tenta reorganizar sua base e reduzir os impactos políticos do episódio. A estratégia do Palácio do Planalto é emplacar o deputado Duarte Jr. (PSB-MA) na vice-presidência do colegiado, vista como peça-chave para equilibrar forças com a oposição e conter possíveis avanços da bancada bolsonarista. Embora o cargo tenha pouca visibilidade, pode ser decisivo em momentos de ausência do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Previdência Social

Duarte Jr., que ganhou notoriedade pela atuação no Procon do Maranhão e pela defesa de pessoas com deficiência, desponta como nome de consenso entre governo e parte da oposição. Ele defende que o foco da comissão seja o combate aos descontos ilegais sofridos por aposentados e pensionistas, problema histórico que, segundo ele, precisa de solução definitiva. Ao mesmo tempo, o parlamentar critica tentativas de transformar o colegiado em palco de disputas ideológicas, como o pedido de convocação do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentado por deputados governistas.

A derrota do governo foi recebida com comemoração efusiva por parlamentares da oposição, que usaram o episódio como forma de ataque político. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), reconheceu falha na articulação, mas minimizou os efeitos, avaliando que a oposição “vai dar um tiro no pé”. Já o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, comparou o episódio a uma derrota pontual em um campeonato, ressaltando que a base precisa reforçar sua mobilização para os próximos embates.

A CPMI do INSS começa a funcionar na próxima terça-feira, quando serão votados os primeiros requerimentos. Entre as medidas iniciais, os parlamentares devem aprovar pedidos de apoio técnico à Controladoria-Geral da União (CGU), à Polícia Federal (PF) e ao próprio INSS. O presidente do colegiado, Carlos Viana, anunciou que pretende ouvir ministros da Previdência Social desde o governo Dilma Rousseff, além de presidentes e ex-presidentes do INSS, com o objetivo de mapear falhas no sistema e apurar responsabilidades. Até o momento, já foram protocolados 586 requerimentos na comissão, incluindo convocações, pedidos de informação e quebras de sigilo.

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