Adiamento da CPMI do INSS dá fôlego para governo negociar apoio no Congresso

Suspensão temporária da comissão permite articulação política à vista dos ajustes orçamentários

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS ganhou sobrevida com o recente adiamento de suas sessões, uma manobra que segundo fontes parlamentares visa dar mais tempo ao governo para articular apoio e ajustar a agenda orçamentária. Oficialmente, a justificativa foi acatar um pedido da liderança governista, mas o contexto político revela que se trata de uma estratégia para evitar revés parlamentar. 

Foto: Foto: Arquivo/Agência Brasil
Congresso Nacional

Com o adiamento, o Comissão Mista de Orçamento (CMO) também segue fora do cronograma habitual, na qual a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que deveria ocorrer em julho foi novamente postergada. O relator da LDO, Efraim Filho (União-PB), classificou a postergação como “jogo de perde-perde”, alertando que a agenda do governo e do Parlamento saem prejudicadas. 

Para o governo, o intervalo ganha importância estratégica neste momento de pressão fiscal e de alta necessidade de costura política no Congresso. Com o recuo da CPMI, o Fernando Haddad, ministro da Fazenda, terá mais margem para negociar diretamente com deputados e senadores, estabilizar sua base e buscar articulação para aprovar propostas de reforma que envolvem o orçamento e ajustes na Previdência. 

O adiamento da CPMI serve como mecanismo de contenção de riscos. Parlamentares aliados e de oposição avaliam que a medida pode desacelerar as investigações e postergar respostas sobre as fraudes no INSS, ao mesmo tempo em que abre espaço para que o governo alinhe sua estratégia de votações antes de retomar os trabalhos da comissão. 

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