O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abriu uma empresa na Espanha em meio a investigações da Polícia Federal que apuram um suposto esquema de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social.
A empresa, chamada Synapta, iniciou suas operações em 13 de janeiro de 2026 e foi registrada em 6 de fevereiro no Registro Mercantil de Madri. De acordo com documentos, trata-se de uma sociedade limitada com atuação voltada a serviços tecnológicos, incluindo consultoria técnica, desenvolvimento e planejamento de sistemas de informática.
O capital social declarado é de 3 mil euros, valor mínimo exigido pela legislação espanhola. A empresa está registrada em um endereço na capital espanhola e, segundo a defesa, ainda não está em operação.
A abertura do empreendimento ocorre no contexto de investigações que mencionam o nome de Lulinha como possível beneficiário de um esquema irregular. A Polícia Federal apura se ele teria atuado como sócio oculto em operações relacionadas a descontos indevidos no INSS.
Relatórios encaminhados ao Supremo Tribunal Federal apontam suspeitas de pagamentos mensais que poderiam chegar a R$ 300 mil, supostamente realizados por um lobista investigado, conhecido como “careca do INSS”. Segundo a apuração preliminar, os valores seriam destinados a facilitar acessos em Brasília, o que é negado pela defesa.
As investigações também incluem depoimentos e documentos que mencionam o nome do empresário, além de um pedido de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático. Em um dos relatórios, a Polícia Federal chegou a levantar a hipótese de saída do país, o que foi considerado no andamento das diligências.
A defesa de Lulinha afirma que não há irregularidades na abertura da empresa e que o empresário está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Segundo os advogados, a criação da empresa faz parte de um possível planejamento futuro e segue todos os requisitos legais.