Um voto em separado apresentado pela bancada governista na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social atribui ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro a consolidação de fraudes em benefícios previdenciários, apontando que irregularidades teriam sido ampliadas por mudanças normativas e falhas institucionais.
O documento, elaborado como contraponto ao relatório oficial do relator Alfredo Gaspar, sustenta que os descontos indevidos em benefícios não foram casos isolados, mas parte de um esquema estruturado que teria operado entre 2015 e 2025, envolvendo agentes públicos e privados.
Segundo o texto, alertas feitos por órgãos como o Ministério Público e entidades de defesa do consumidor desde 2017 não teriam recebido resposta institucional considerada adequada. O voto também aponta que, a partir de 2020, alterações em regras internas e decretos teriam ampliado o acesso de entidades ao sistema do INSS e flexibilizado mecanismos de controle.
A argumentação segue a linha defendida pela base governista durante as sessões da CPMI, de que, apesar do aumento dos descontos durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a gestão anterior teria sido permissiva ao não adotar medidas suficientes para conter as irregularidades, mesmo após denúncias e sinais de fraude.