A uma semana do fim da janela partidária, quase um em cada quatro deputados federais já trocou de partido nesta legislatura, movimento que tem redesenhado a correlação de forças na Câmara e fortalecido o Partido Liberal (PL).
Desde 2022, cerca de 23% dos parlamentares mudaram de legenda ao menos uma vez, alguns mais de uma. A movimentação se intensificou com a abertura da janela partidária — período em que deputados podem trocar de sigla sem risco de perda de mandato — e segue até o dia 3 de abril.
O principal beneficiado tem sido o PL, partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que recuperou o tamanho do início da legislatura e alcançou 100 deputados federais. A legenda ganhou força sobretudo com a migração de parlamentares de direita e de integrantes do União Brasil.
Já o União Brasil enfrenta o movimento inverso. A sigla perdeu cerca de 20 deputados desde o início das trocas e vê sua bancada encolher, em meio a disputas internas, mudanças na direção nacional e impactos da federação com o PP, que aumentou a concorrência por espaço nos estados.
Outro destaque é o ressurgimento do Partido da Social Democracia Brasileira. Após anos de perda de protagonismo, a legenda voltou a crescer ao atrair novos parlamentares e conter saídas, chegando a 19 deputados.
A movimentação também reflete estratégias eleitorais. Parte dos deputados busca partidos com maior potencial de votos ou melhor posicionamento político para as eleições de outubro. A vinculação a siglas mais competitivas, especialmente no campo da direita, é vista como vantagem para a reeleição.
Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manteve-se praticamente estável durante a janela, com poucas mudanças em sua bancada.
Com o prazo se aproximando do fim, a expectativa é de que novas trocas ocorram nos próximos dias, consolidando o novo desenho político da Câmara para a disputa eleitoral deste ano.