A CPI do Crime Organizado no Senado encerra seus trabalhos nesta semana sem prorrogação, e o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), defendeu a criação de uma nova investigação após as eleições para aprofundar apurações.
Em entrevista, Contarato afirmou que a comissão conseguiu avançar na identificação da atuação de organizações criminosas no país, incluindo o mapeamento de fluxos financeiros e o uso de instituições como bancos e escritórios de advocacia para lavagem de dinheiro.
Apesar dos resultados, o senador avaliou que o tempo foi insuficiente para aprofundar as investigações. O pedido de prorrogação da CPI foi negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), o que, segundo Contarato, limitou o alcance dos trabalhos.
O relatório final, a ser apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), deve reunir informações sobre o fluxo de armas e drogas, além de detalhar estruturas financeiras associadas ao crime organizado.
A comissão também não conseguiu ouvir cerca de 120 pessoas que já tinham sido alvo de requerimentos aprovados. Ainda assim, com base em quebras de sigilo, os parlamentares identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo diferentes atores, incluindo empresas e profissionais liberais.
Contarato destacou ainda que a CPI evidenciou desigualdades no sistema penal brasileiro. Segundo ele, os dados apontam que a população carcerária é majoritariamente formada por pessoas negras e de baixa renda, enquanto crimes financeiros e de colarinho branco têm baixa representatividade nas prisões.
Para o senador, uma nova CPI após o período eleitoral poderia aprofundar a apuração de possíveis vínculos entre organizações criminosas e agentes públicos ou privados. Ele afirmou que o objetivo é ampliar o alcance das investigações e reforçar o princípio de que nenhuma autoridade está acima da lei.