O ministro Nunes Marques do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início a um inquérito criminal para investigar as acusações de importunação sexual contra o magistrado afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi. A denúncia foi feita por uma jovem de 18 anos. Em resposta, Buzzi negou as acusações, enquanto sua defesa classificou o caso como "linchamento moral".
A decisão de Nunes Marques veio após uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) em 31 de março, onde o procurador-geral Paulo Gonet destacou haver “elementos suficientes” para a investigação. O procedimento corre sob sigilo no STF.
Simultaneamente, no STJ, uma investigação administrativa também avança. Nesta terça-feira, o plenário da Corte deve discutir a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Buzzi, conforme sugestão de uma comissão de sindicância.
Nos bastidores, espera-se que o STJ autorize o PAD, aprofundando a investigação e podendo culminar em sanções administrativas. Na segunda-feira, Nunes Marques já havia rejeitado um pedido da defesa de Buzzi para interromper a sindicância no STJ, argumentando que ela não necessita de contraditório ou ampla defesa nesta etapa preliminar.
As denúncias incluem um incidente reportado por uma jovem de 18 anos, que afirma ter sido agarrada três vezes por Buzzi em Balneário Camboriú (SC) durante as férias da família do magistrado. Além disso, uma ex-funcionária também apresentou uma acusação semelhante.
A defesa de Buzzi, em nota assinada por Maria Fernanda Ávila e Paulo Emílio Catta Preta, criticou a cobertura midiática do caso, alegando distorções e falta de provas concretas. Argumentou ainda que parte das acusações vem de uma advogada com interesses em processos no STJ, destacando a necessidade de cautela na divulgação das informações.