Alckmin evita confirmar fim da taxa das blusinhas e diz aguardar definição

Presidente em exercício afirma que ainda não há decisão sobre imposto em compras internacionais

O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado (18) que ainda não há uma decisão oficial sobre a possível revogação da chamada “taxa das blusinhas”, imposto de 20% aplicado sobre compras internacionais de até US$ 50. A declaração foi dada durante visita a concessionárias de veículos no Entorno do Distrito Federal, em meio às discussões internas no governo sobre a permanência da cobrança, alvo de críticas de ministros e até do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Foto: Evaristo Sa/AFP
Geraldo Alckmin

Segundo Alckmin, a criação da taxa foi uma decisão do Congresso Nacional e qualquer mudança dependerá de um posicionamento conjunto. Embora tenha evitado antecipar qualquer decisão, o presidente em exercício reiterou o entendimento de que a cobrança é importante para equilibrar a competitividade entre produtos importados e nacionais. Ele argumentou que, mesmo com a tributação de 20% somada ao ICMS estadual, os itens importados ainda enfrentam uma carga tributária menor do que a suportada pela indústria brasileira, que chega a quase 50%.

Apesar da defesa feita por Alckmin, o tema tem provocado divergências dentro do governo federal. Nesta semana, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a revogação da taxa poderia ser uma “boa ideia”, indicando abertura para rever a medida ainda este ano. A posição do ministro reforça o debate sobre os impactos do imposto sobre consumidores de menor renda, que recorrem a plataformas internacionais para adquirir produtos mais baratos.

O próprio presidente Lula também demonstrou incômodo com a medida ao classificar a taxação como “desnecessária”, argumentando que a cobrança afeta principalmente consumidores de baixo poder aquisitivo. O impasse revela uma disputa entre a defesa da indústria nacional e a pressão popular por preços mais acessíveis em compras internacionais. Enquanto o governo busca um consenso interno, a permanência da taxa segue indefinida e continuará no centro do debate econômico e político nas próximas semanas.

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