Defesa de Lulinha pede arquivamento de inquérito e cobra desfecho do caso

Advogado afirma que demora mantém suspeitas e diz que arquivamento pode mudar cenário eleitoral.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, apresentou um pedido de arquivamento do inquérito que apura sua suposta ligação com fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O advogado Marco Aurélio Carvalho, que também coordena o jurídico da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a conclusão da investigação pode eliminar um foco de desgaste político para o governo.

Foto: JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
Defesa de Lulinha afirma que pedido de arquivamento busca encerrar investigação da Polícia Federal.

Em entrevista ao programa Poder Expresso, Marco Aurélio Carvalho afirmou que a defesa protocolou recentemente o pedido de arquivamento da investigação. Segundo ele, a manutenção do inquérito sem uma conclusão definitiva alimenta suspeitas sobre Lulinha, apesar de, na avaliação da defesa, não terem sido encontradas provas que justifiquem o prosseguimento do caso.

Carvalho argumentou que, caso o procedimento seja encerrado, o episódio deixará de representar um problema para o governo e poderá até fortalecer o discurso da campanha presidencial ao demonstrar, segundo ele, a inexistência de irregularidades.

Lulinha é citado em uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema de fraudes no INSS. Um dos pontos sob apuração envolve um suposto repasse de R$ 300 mil feito por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". De acordo com as investigações, o suspeito teria mencionado que o pagamento seria destinado ao "filho do rapaz", expressão que passou a ser analisada pelos investigadores.

O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio, a Polícia Federal substituiu o delegado responsável pela investigação. Na ocasião, a corporação informou que a mudança tinha como objetivo reforçar a equipe diante da proximidade do período eleitoral.

Durante a entrevista, o coordenador jurídico também rebateu críticas sobre uma suposta interferência do governo nas investigações. Segundo ele, a atual gestão preservou a autonomia da Polícia Federal e não promoveu mudanças na direção da instituição para influenciar apurações.

Ao comentar as acusações de adversários que associam o PT a casos de corrupção, Carvalho afirmou que o governo Lula adotou medidas de enfrentamento às irregularidades e defendeu a atuação da equipe econômica liderada pelo ministro Fernando Haddad.

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