Dino cobra explicações de partidos sobre indicação de emendas parlamentares

Siglas respondem ao STF após ministro exigir esclarecimentos sobre repasses

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que partidos políticos apresentem esclarecimentos sobre a forma como ocorre a indicação de emendas parlamentares, em mais um desdobramento das medidas voltadas ao aumento da transparência na destinação de recursos públicos. A decisão foi motivada por investigações que apontam a possível atuação de pessoas sem mandato eletivo na definição de emendas, prática considerada incompatível com as regras constitucionais. As legendas foram intimadas a informar como funcionam seus procedimentos internos para garantir que apenas parlamentares exerçam essa atribuição. 

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

As respostas encaminhadas ao STF variam conforme cada partido. Algumas siglas afirmaram que a escolha das emendas é realizada exclusivamente pelos parlamentares, seguindo normas internas e critérios institucionais. Outras alegaram que dirigentes partidários apenas participam de articulações políticas e administrativas, sem substituir a competência dos deputados e senadores. Também houve partidos que negaram qualquer interferência de pessoas sem mandato na definição do destino dos recursos, ressaltando que a palavra final cabe aos congressistas. 

O despacho de Flávio Dino integra um conjunto de decisões destinadas a fortalecer os mecanismos de rastreabilidade e controle das emendas parlamentares. O ministro tem defendido que a indicação dos recursos constitui um ato pessoal do parlamentar e que qualquer forma de "terceirização" da prerrogativa compromete a transparência e a fiscalização dos gastos públicos. A determinação ganhou força após investigações da Polícia Federal envolvendo a suposta participação de ex-parlamentares e dirigentes partidários na destinação de verbas orçamentárias. 

Com os esclarecimentos apresentados, o STF deverá analisar se os procedimentos adotados pelas legendas atendem às exigências constitucionais e às regras de transparência estabelecidas para a execução das emendas. O caso integra o monitoramento conduzido pela Corte sobre a aplicação dos recursos do Orçamento da União e poderá resultar em novas determinações caso sejam identificadas irregularidades ou falhas nos mecanismos de controle adotados pelos partidos. 

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