A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele não tinha conhecimento de que a carta escrita durante o cumprimento de medidas cautelares seria divulgada publicamente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manifestação foi apresentada após o ministro Alexandre de Moraes solicitar esclarecimentos sobre o episódio, ocorrido depois que o documento foi lido e divulgado nas redes sociais pelo parlamentar.
No documento enviado ao STF, os advogados afirmam que Bolsonaro "jamais soube que a carta seria publicizada" e sustentam que não houve qualquer orientação, acordo ou combinação prévia para que o conteúdo fosse divulgado na internet. A defesa também argumenta que o ex-presidente não considerava a elaboração da carta uma violação das restrições impostas pela Justiça, uma vez que o texto teria sido redigido como correspondência pessoal.
Os representantes de Bolsonaro lembraram ainda que o ex-presidente já escreveu outras cartas destinadas a familiares e aliados, algumas posteriormente divulgadas, sem que isso tivesse provocado questionamentos judiciais. Na manifestação, a defesa reafirma o compromisso de Bolsonaro em cumprir rigorosamente todas as medidas cautelares determinadas pelo STF, incluindo as limitações relacionadas ao uso das redes sociais.
A controvérsia surgiu após Flávio Bolsonaro tornar pública a carta escrita pelo pai, na qual o ex-presidente afirmava sentir saudades de falar diretamente aos apoiadores e defendia união em torno da pré-candidatura presidencial do senador. Em razão da divulgação, Alexandre de Moraes determinou a suspensão das visitas de Flávio ao pai pelo período de 90 dias e solicitou esclarecimentos formais da defesa sobre o episódio, que agora passarão por análise do Supremo.