Depois de mudar seu nome para Julim do Lula, afirmando que teria sido o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o assim teria nomeado, em solenidade no Planalto, com direito até a beijo na cabeça, o deputado federal Júlio César Lima está enredado em uma onda de informação não confirmada dando conta de que o cacique petista teria avisado a Rafael Fonteles (PT) que não gravaria vídeo pedindo votos para o candidato a senador pelo PSD.
A equipe de marketing do deputado já teria até sido informada da decisão, enquanto trafega em redes e mídias sociais uma versão mais atenuada de que Lula teria dito ao governador que Rafael Fonteles teria de escolher qual dos seus dois candidatos a senador teriam o apoio expresso em vídeo do presidente.
A versão fica pouco crível em face de abissal distância a separar a simpatia de Marcelo Castro e de Júlio César ao petismo.
O senador do MDB vem de uma carreira política também na antiga Arena e depois ao PMDB um partido que fez oposição à ditadura; foi ministro da ex-presidente Dilma Roussef e, nessa condição, trabalhou e votou contra o impeachment dela.
Júlio César tem seu berço político na Arena, o partido de apoio à ditadura militar, votou pelo impeachment de Dilma Roussef e no mandato de Jair Bolsonaro era da bancada de apoio – tendo até viajado na companhia do ex-presidente.
O deputado faz parte da bancada ruralista, onde está concentrada parte da maior oposição a Lula no Congresso Nacional.
Só que pesa também na indisposição de Lula em se meter na eleição para o Senado no Piauí um acordo entre ele e o PP de Ciro Nogueira, anunciado em reportagens de O Estado de São Paulo e O Globo, desmentidas em Teresina, mas nunca em Brasília.
O PP e o União Brasil, que formam uma federação partidária presidida por Ciro Nogueira, ficaram neutros da eleição – que representa isolamento ao candidato Flávio Bolsonaro e favorece a Lula. Um favor e tanto que o presidente agradece também sendo “neutro” no Piauí, ou pelo menos largando a mão de um candidato a senador que votou pelo impeachment de Dilma Roussef.