Aliados pedem que Lula diferencie casos de Lulinha e Marcola

Orientação busca evitar que investigações envolvendo filho atinjam imagem do presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi orientado por assessores a diferenciar publicamente a situação de seu filho, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, daquela envolvendo o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A avaliação no entorno do presidente é de que os indícios apresentados até o momento contra o ex-assessor são mais graves do que as suspeitas relacionadas ao filho de Lula, embora os dois tenham sido associados à lobista Roberta Luchsinger. A estratégia é considerada importante para tentar reduzir o desgaste político provocado pelas investigações durante o período eleitoral. 

Foto: Reprodução | YouTube
Presidente Lula

Segundo a avaliação dos aliados, a distinção é especialmente relevante porque denúncias envolvendo familiares de políticos tendem a provocar maior impacto na opinião pública quando há suspeitas de tráfico de influência. No caso de Lulinha, a Polícia Federal ainda não identificou contrato assinado ou vantagem concedida pelo governo federal aos clientes da lobista. Roberta Luchsinger, por outro lado, mantinha proximidade com Lulinha e chegou a afirmar que os dois eram como irmãos, segundo informações citadas pela CNN Brasil. 

Em relação a Marcola, a situação é tratada de maneira diferente pelos assessores presidenciais. O ex-chefe de gabinete deixou o cargo após as suspeitas envolvendo sua relação com a lobista. Paralelamente, Lula recebeu a orientação de defender que Lulinha preste depoimento à Polícia Federal e esclareça os fatos investigados. Em entrevista à Record, no domingo (23), o presidente afirmou que ninguém está acima da lei e que, caso o filho tenha cometido algum erro, deverá ser julgado e eventualmente punido ou inocentado. 

A estratégia ocorre em meio à campanha presidencial de 2026 e ao aumento da pressão política sobre o governo. As denúncias envolvendo Lulinha passaram a ser exploradas pela oposição, enquanto integrantes do PT buscam evitar que o caso comprometa a candidatura de Lula e afaste eleitores indecisos. Pesquisas recentes ainda apontam o presidente na liderança do primeiro turno, mas mostram uma disputa mais acirrada contra Flávio Bolsonaro, cenário que aumenta a preocupação da campanha com possíveis impactos eleitorais das investigações. 

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