A queda de sigilos de documentos relacionados ao caso Banco Master aumentou a tensão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira (11). A divulgação de parte dos autos provocou um embate entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, além de manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do presidente da Corte, Edson Fachin. As investigações envolvem suspeitas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e à Operação Compliance Zero.
Mendonça, relator dos processos, havia retirado o sigilo de parte dos procedimentos após determinação de Fachin, mas manteve documentos sob restrição. Moraes questionou a medida e afirmou que 180 documentos permaneciam inacessíveis aos demais ministros, acusando o colega de realizar uma liberação seletiva que poderia dificultar a análise das provas. Mendonça rejeitou a acusação e alegou que documentos ainda estavam protegidos por envolverem investigações em andamento, além de dados bancários, fiscais e pessoais.
A disputa ganhou novos contornos após a PGR também solicitar acesso a procedimentos que permaneciam indisponíveis. Em resposta, Mendonça determinou nesta sexta-feira a retirada do sigilo de 18 processos relacionados ao caso Master e ampliou o acesso aos autos. Entre as informações que vieram a público estão elementos sobre a relação de Vorcaro com autoridades e servidores públicos, além de uma investigação envolvendo repasses destinados ao financiamento do filme Dark Horse, que resultou na inclusão do senador Flávio Bolsonaro como investigado.
A crise ocorre às vésperas de uma sessão extraordinária do plenário do STF marcada para terça-feira (15), quando os ministros deverão analisar se autorizam a abertura de investigação contra Moraes por suposto envolvimento com Vorcaro. O ministro não deve participar da votação por ser alvo do pedido, enquanto Mendonça deverá atuar por ser o relator do inquérito. O caso também levou Gilmar Mendes a defender a união de processos relacionados às investigações, diante do risco de decisões conflitantes.