PCC aparece em investigação que envolve produtora de filme sobre Bolsonaro

Empresário ligado à dona de Dark Horse é citado em apuração sobre suposto elo com facção

O Primeiro Comando da Capital (PCC) aparece entre os elementos citados nas investigações que envolvem empresas e pessoas relacionadas à produção de Dark Horse, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os documentos de investigações da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público apontam um suposto vínculo do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos com a facção criminosa. Alex é apontado como controlador da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., empresa que foi subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada por Karina Ferreira da Gama, também proprietária da produtora Go Up, responsável pelo longa. 

Foto: Reprodução

A menção ao PCC, porém, não surgiu originalmente nas investigações sobre o filme. A suspeita de ligação de Alex com a organização criminosa aparece em uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o feminicídio de sua ex-companheira, ocorrido em novembro de 2025. O Ministério Público de São Paulo denunciou o empresário pelo crime, e a Justiça recebeu a denúncia, tornando-o réu. A partir dessas apurações, surgiram informações sobre uma possível relação do empresário com integrantes da facção, que posteriormente passaram a ser consideradas em outras frentes investigativas. 

O nome de Alex passou a ganhar relevância no contexto envolvendo o ICB porque a empresa controlada por ele foi contratada pela entidade para executar serviços relacionados a um acordo firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de internet gratuita. Em junho, a Polícia Civil deflagrou uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na execução desse contrato. Paralelamente, a Polícia Federal realizou a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares e a possibilidade de parte dos recursos ter sido direcionada para financiar Dark Horse.

As diferentes investigações passaram a ser analisadas de forma conjunta em alguns pontos. Em decisão relacionada à Operação Make Up, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver indícios de que as apurações podem estar relacionadas a um mesmo sistema de desvio e ocultação de recursos públicos e mencionou conexões que chegariam ao PCC. A operação também teve como alvos o deputado federal Mário Frias, a produtora Karina Gama e entidades ligadas a ela. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam condenação dos envolvidos, cabendo às autoridades esclarecer a origem, circulação e eventual destinação irregular dos recursos. 

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