Diálogos encontrados no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, mencionam relações do banqueiro com pessoas ligadas a três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), às vésperas da sessão que vai analisar se Alexandre de Moraes será investigado no caso. Entre os citados estão Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux; Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques; e o advogado Ciro Soares, próximo de André Mendonça.
As mensagens foram encaminhadas aos gabinetes dos ministros e vieram a público antes do julgamento. A investigação sobre a conduta de Moraes foi solicitada por Mendonça, que relatou o caso Master, a partir de um relatório da Polícia Federal. O documento aponta 187 interações entre Moraes e Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República, porém, questiona a validade do material produzido pela PF.
Em uma das frentes, mensagens trocadas pelo então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, citam pagamentos mensais de R$ 500 mil relacionados a Kevin Marques. Em outubro de 2024, Rennó encaminhou a Vorcaro uma planilha com o nome e o contato do advogado. Posteriormente, também perguntou se os pagamentos continuariam e mencionou a ausência da Consult Inteligência Tributária entre os chamados “pagamentos essenciais”.
Dados do Coaf apontam que a empresa sediada em Teresina teria recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master em um período de um ano. Kevin Marques nega ter trabalhado para o banco ou recebido dinheiro de Vorcaro. Ele afirma que recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços na área tributária e que os trabalhos não tinham relação com o STF. Kassio Nunes Marques informou que não se manifestaria.
Encontros e contatos com filho de Fux
As mensagens entre Vorcaro e Rodrigo Fux se estendem de maio de 2024 a agosto de 2025. Em determinado momento, o banqueiro pede ajuda em um caso que não é especificado nas conversas. Os dois também combinam encontros em diferentes cidades.
Os registros mostram ainda que Vorcaro ofereceu a Rodrigo e familiares convites para um camarote durante o Carnaval do Rio de Janeiro. Em março de 2025, Rodrigo orientou o banqueiro a encaminhar um e-mail à secretária de Luiz Fux no STF, embora o assunto da mensagem não esteja identificado no material divulgado.
A assessoria de Rodrigo Fux afirmou que a aproximação comercial entre os dois não chegou a se concretizar e que ele não recebeu pagamentos de Vorcaro.
Advogado ligado a Mendonça
Outro nome que aparece nas conversas é o do advogado Ciro Soares, que atuou em favor da indicação de André Mendonça ao STF e aproximou Vorcaro do ministro em 2025.
Em uma troca de mensagens, Soares comemorou com o banqueiro uma decisão de Mendonça que concedeu habeas corpus ao então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em outubro de 2024. Na conversa, o advogado escreveu “Ganhamos”. As mensagens, contudo, não esclarecem qual seria o interesse de Vorcaro no processo.
Soares também aparece como intermediário de convites para eventos promovidos pelo Iter, instituto fundado por Mendonça.
Apesar das referências, os diálogos divulgados são fragmentados e não comprovam, isoladamente, que os filhos dos ministros tenham recebido pagamentos de Vorcaro, que tenham sido contratados pelo Banco Master ou que tenha ocorrido interferência em decisões judiciais.
O conteúdo, porém, expõe a existência de contatos do ex-banqueiro com pessoas próximas a integrantes do STF em um momento em que a própria atuação de ministros da Corte passou a ser questionada dentro da investigação sobre o Banco Master.