A nova pesquisa Datafolha passou a medir os possíveis efeitos eleitorais da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), em um momento de intensificação dos conflitos entre ministros e de proximidade do primeiro turno das eleições de 2026. O levantamento busca identificar se os episódios relacionados a Alexandre de Moraes, André Mendonça e às investigações sobre o Banco Master tiveram impacto na decisão dos eleitores entre os principais candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A pesquisa foi realizada entre 8 e 10 de setembro, período que coincidiu com o agravamento da crise no STF. No levantamento, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registra 35%. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, o presidente tem 46%, contra 44% do senador, resultado que mantém a disputa dentro da margem de erro.
O Datafolha também questionou diretamente os eleitores sobre os efeitos dos acontecimentos envolvendo o Supremo. Segundo os dados, 85% afirmaram que as mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não mudaram nem devem mudar sua escolha para presidente. Outros 7% disseram que mantiveram a preferência, mas ficaram em dúvida, enquanto 4% declararam ter mudado de candidato. Em relação ao pedido de investigação envolvendo Mendonça, 86% disseram que o episódio não alterou o voto e 2% afirmaram ter mudado de escolha.
O levantamento também mostra que a crise no STF ocupa espaço relevante na percepção dos eleitores, embora isso não tenha se traduzido, até o período da pesquisa, em uma alteração ampla das preferências eleitorais. A coleta terminou em 10 de setembro e, portanto, não captou integralmente acontecimentos posteriores envolvendo o caso Banco Master e o caso Dark Horse. Novas pesquisas poderão registrar eventuais mudanças após esses desdobramentos e indicar como o cenário eleitoral evoluiu na reta final antes da votação.