STF inicia quarta semana de crise com sessões e julgamentos indefinidos

Tensões entre ministros aumentam desgaste da Corte e deixam próximos passos em aberto

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta segunda-feira (21) a quarta semana consecutiva de crise interna, marcada por desgaste institucional e falta de definição sobre os próximos passos da Corte. A indefinição permanece entre os ministros após uma sequência de embates públicos, vazamentos de informações e divergências relacionadas a investigações envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. O presidente do STF, Edson Fachin, tem buscado construir uma trégua entre os integrantes do tribunal, mas, segundo a reportagem, ainda não houve adesão significativa à iniciativa.

Foto: Fellipe Sampaio/STF

A semana passada foi marcada por adiamentos e cancelamentos de sessões. Na terça-feira (15), estava previsto o início de um julgamento que poderia discutir a abertura de investigação contra Moraes, mas a análise foi interrompida ainda em uma questão de ordem e não chegou ao mérito. Na quinta-feira (17), Fachin cancelou uma sessão que estava prevista após avaliar o cenário de tensão entre os ministros. O episódio ocorreu depois de uma sequência de críticas públicas e manifestações relacionadas aos processos envolvendo os integrantes da Corte.

A crise também se estendeu para despachos e ofícios relacionados ao caso Banco Master. Levantamento publicado pela CNN Brasil identificou ao menos 46 movimentações de ministros desde 1º de setembro, envolvendo pedidos de informações, levantamentos de sigilo e decisões relacionadas às investigações. A sequência começou após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens entre Daniel Vorcaro e Moraes. Desde então, diferentes ministros passaram a apresentar manifestações e determinações sobre o acesso a documentos e a condução dos processos.

Para esta semana, o cenário permanece sem definição sobre a realização e o formato das próximas sessões, segundo a reportagem. A crise também ocorre em um período de proximidade das eleições de 2026, o que acrescenta uma dimensão política ao ambiente de tensão envolvendo o tribunal. Ministros consultados avaliam que o quadro pode continuar se deteriorando, enquanto Fachin tenta conduzir os trabalhos da Corte em meio às divergências.

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