O Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Sul abriu uma investigação para apurar se o apresentador Luciano Huck e a TV Globo infringiram a legislação eleitoral ao divulgar a plataforma TemMeuVoto. A ferramenta foi apresentada por Huck durante o programa Domingão com Huck, exibido ao vivo no último domingo (27), poucos dias antes das eleições. O procedimento foi instaurado após a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) acionar a Procuradoria-Geral Eleitoral.
Durante o programa, Huck explicou que a plataforma funciona a partir de um questionário sobre oito temas considerados importantes pelo eleitor. Com base nas respostas, o sistema calcula um percentual de alinhamento entre o usuário e candidaturas aos cargos de deputado estadual, deputado federal e senador. O apresentador afirmou que o serviço reúne cerca de 20 mil candidaturas e se apresenta como apartidário, sem indicar diretamente em quem o eleitor deve votar.
A divulgação, porém, gerou reclamações de usuários e políticos nas redes sociais. Entre as críticas estão relatos de pessoas que afirmam ter recebido indicações ou resultados de candidatos identificados com a direita, mesmo após responderem ao questionário de maneira que consideravam compatível com posições de esquerda. A denúncia apresentada à Procuradoria-Geral Eleitoral questiona se a divulgação da ferramenta em um programa de televisão pode ter caracterizado alguma irregularidade eleitoral. As reclamações, isoladamente, não comprovam favorecimento político no funcionamento da plataforma.
Em manifestação, a organização responsável pelo TemMeuVoto afirmou que a plataforma não recomenda candidatos nem favorece partidos e que utiliza uma metodologia pública, com critérios iguais para as candidaturas. O sistema informa que pode considerar respostas dadas pelos próprios candidatos, votações de parlamentares e posições atribuídas a partir do comportamento de bancadas quando não há informações individuais disponíveis. A investigação do MPF deverá analisar as circunstâncias da divulgação e a possível existência de irregularidades, enquanto os responsáveis pela ferramenta defendem seu caráter apartidário.