PT apoia Hugo Motta e negocia bloco de 328 deputados para isolar o PL

Aliança reúne partidos de centro e busca ampliar a governabilidade de Lula e influenciar a Câmara

A federação formada por PT, PCdoB e PV oficializou apoio à reeleição do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e articula a formação de um bloco parlamentar que pode reunir até 328 dos 513 deputados federais a partir de 2027. O acordo foi anunciado na terça-feira (27), após reunião com Motta, e faz parte das negociações para ampliar a base de sustentação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional. A articulação também busca limitar o espaço do PL, partido que terá a maior bancada da Câmara na próxima legislatura, com 121 parlamentares.

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A aliança prevê a participação da federação em um bloco com União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e a federação PSDB-Cidadania. Juntos, os grupos poderão alcançar 328 deputados, caso todas as adesões se confirmem. A federação de esquerda contará com 88 parlamentares, sendo 70 do PT, 11 do PCdoB e sete do PV. Segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, a aproximação com partidos de centro pretende facilitar a aprovação de propostas prioritárias do próximo mandato de Lula, especialmente nas áreas de direitos sociais, políticas para mulheres e soberania nacional.

Além de influenciar as votações, a composição do bloco pode ampliar o espaço das legendas na distribuição de cargos da Mesa Diretora e na escolha das comissões permanentes da Câmara. Conforme o Regimento Interno da Casa, o tamanho dos blocos interfere na divisão desses espaços institucionais. O acordo anunciado não inclui o PL, o Novo e o Missão, enquanto o PSOL ainda não havia confirmado participação. A articulação também fortalece a candidatura de Hugo Motta à presidência da Câmara, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027, no início da nova legislatura.

Apesar do número expressivo de parlamentares envolvidos nas negociações, a formação do bloco não garante apoio automático a todas as propostas do governo. Como a votação para a Mesa Diretora é secreta, também não é possível assegurar antecipadamente os votos individuais dos deputados na disputa pela presidência. A estratégia do PT e de seus aliados busca ampliar a capacidade de negociação do Executivo em um Congresso no qual o PL terá a maior bancada da Câmara. O resultado das articulações deverá influenciar a distribuição de forças políticas e as condições de governabilidade durante os próximos quatro anos.

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