Receber um diagnóstico de câncer pode provocar medo, tristeza, raiva e ansiedade, além de trazer mudanças na rotina e incertezas sobre o futuro. No Piauí, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de 850 novos casos de câncer de mama em 2026, reforçando a importância de discutir o acolhimento emocional durante o enfrentamento da doença. Segundo Bruna Saraiva, doutora em Psicologia, especialista em Saúde Mental e professora da Afya Parnaíba, essas reações fazem parte da experiência de muitas pessoas diante do diagnóstico e não devem ser interpretadas como sinal de fraqueza. O medo da dor, das mudanças na aparência física e da possibilidade de retorno da doença pode aumentar o sofrimento ao longo do tratamento.
Para lidar com esse período, a especialista recomenda buscar informações confiáveis diretamente com a equipe de saúde, expressar os sentimentos e enfrentar o tratamento por etapas, concentrando-se nas possibilidades de cada dia. O acolhimento emocional também envolve reconhecer os próprios limites e respeitar o tempo necessário para se adaptar às mudanças. A rede de apoio, formada por familiares, amigos e profissionais, pode ajudar o paciente a enfrentar as dificuldades e a preservar a qualidade de vida. Manter atividades prazerosas dentro das possibilidades e valorizar pequenas conquistas são atitudes que contribuem para tornar a jornada menos desgastante.
O impacto do câncer, no entanto, não se restringe à pessoa diagnosticada. Familiares e cuidadores também podem enfrentar medo da perda, sobrecarga física e emocional, dificuldades financeiras e alterações na rotina. Em alguns casos, a tentativa de demonstrar força continuamente e esconder os próprios sentimentos pode intensificar o esgotamento. Por isso, Bruna Saraiva orienta que as responsabilidades sejam divididas entre familiares e amigos, sempre que possível, e que os cuidadores reservem momentos para descansar. “Sono, alimentação, lazer e momentos de descanso não são egoísmo, são condição para cuidar bem”, destaca a professora, ressaltando que o bem-estar de quem oferece apoio também precisa ser considerado durante o tratamento.
O acompanhamento psicológico, incluindo a psico-oncologia, pode auxiliar pacientes e familiares a compreender as emoções, lidar com mudanças na autoimagem e melhorar a comunicação ao longo do tratamento. De acordo com a especialista, esse suporte também pode favorecer a adesão aos cuidados de saúde e contribuir para prevenir ou identificar precocemente problemas como depressão e transtornos de ansiedade. A recomendação é procurar ajuda profissional desde o início do processo, sem esperar que o sofrimento se torne intenso. Tristeza persistente, isolamento e exaustão são sinais que merecem atenção. O cuidado com a saúde emocional, aliado ao acompanhamento médico e ao apoio de pessoas próximas, é parte importante da atenção integral a quem enfrenta o câncer.