O golpe da não transparência
A transparência é um fundamento constitucional, não podendo ser negada. Mas, no Brasil, segue-se a lógica de burlar a lei, às vezes usando a própria lei para isso. É o que acontece agora.
Alegando a exigência da lei eleitoral, as páginas de governos estaduais, do governo federal e até de universidades públicas, que teoricamente têm autonomia, foram fechadas. Não se tem acesso a quase nada. Nem mesmo estudos acadêmicos podem ser acessados.
Defeso
Isso acontece porque, desde 4 de julho de 2026, vigora o chamado “defeso eleitoral”, período de três meses que antecede o pleito, em que a legislação eleitoral impõe uma série de condutas vedadas aos agentes públicos.
Tudo fechado
Alegando cautela, as páginas de notícias dos governos dos estados, do governo federal e de universidades foram hermeticamente fechadas.
O governo do Piauí, por exemplo, anuncia que “durante o período eleitoral nosso conteúdo foi reformulado”, o que evidentemente é uma licenciosidade para dizer que o acesso a informações foi bloqueado.
Pesquisas
Um dos problemas desse tipo de opacidade travestida de cuidado com a lei eleitoral é que alguém que precise fazer uma pesquisa para qualquer trabalho não terá acesso a dados contidos, por exemplo, em notícias do próprio governo — que, como produz ou armazena mal as estatísticas, as circunscreve aos textos jornalísticos oficiais.
Apagão de dados
O site The Conversation Brasil informa, em seu perfil no Instagram, que “uma interpretação excessivamente cautelosa da regra do defeso eleitoral levou órgãos públicos a retirar do ar dados e documentos essenciais para a pesquisa, o jornalismo e a formulação de políticas públicas”.
Sem acesso
Uma pessoa que necessite, por exemplo, acessar dados na Secretaria de Planejamento do Piauí sobre a lei orçamentária não terá êxito, porque o conteúdo foi modificado — ou seja, está inacessível.
Quem, em sã consciência, pode imaginar que acessar dados orçamentários pode resultar em vantagem eleitoral? O contrário, vá lá.
Opacidade
Segundo escreve Danye Stycer, editor do The Conversation, até mesmo páginas destinadas à pesquisa acadêmica, como o Arquivo Nacional, por exemplo, adotaram restrições de acesso a todas as notícias publicadas em seu portal, antes mesmo de 3 de julho deste ano.
A plataforma Brasil Participativo ocultou processos participativos já encerrados.
Maluquice
Alguns estados, como o Piauí, suspenderam integralmente o acesso aos seus sites e às redes oficiais até 25 de outubro. Em julho de 2026, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) chegou a retirar do ar cerca de 146 mil matérias jornalísticas sob a mesma justificativa.
O resultado é um apagão temporário de dados que atinge quem pesquisa, quem informa e quem depende dessas informações para trabalhar.
Se for doido, não peticione
O advogado Kelmo Martins Bandeira, da Bahia, está processando pessoas, empresas e governos sob a alegação de que fazem parte de uma organização criminosa internacional que utilizaria satélites, robôs e outras tecnologias para promover clonagem de DNA, alteração genética, manipulação de material genético, controle mental, perseguições, violência sexual, desaparecimento de pessoas, lavagem de dinheiro e desvio de patrimônio.
Os réus
Kelmo arrolou como acusados no processo o papa Leão XIV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a CNBB e pessoas da família dele.
Depois, não satisfeito com tanta gente, empresas e governos acusados, acrescentou à lista Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin, Bill Gates, Leonardo DiCaprio, Charlie Sheen, Vinícius Júnior, Ivete Sangalo, Miguel Falabella, Camila Queiroz, Wesley Batista, Elie Horn e André Gerdau Johannpeter.
Piauí processado
O advogado incluiu entre os processados vários estados e suas polícias civis. O Piauí está na lista, assim como a Bahia, o Maranhão e Sergipe.
Por alguma razão ainda mais bizarra, Kelmo incluiu entre os processados o município de Barreirinhas, no Maranhão, porta de entrada dos Lençóis Maranhenses.
Indenização
Como não brinca em serviço, o advogado pediu uma indenização de R$ 12 bilhões à União, que ele coloca como uma das responsáveis pela conspiração de clonagem e outras bizarrices.
Volare
A menos de seis meses de deixar o posto para o qual foi eleito em 2022, o vice-governador Themistocles Filho assinou contrato de R$ 320.954,10 com a agência Miracéu Turismo.
Aparentemente, deve ser para fornecer serviços relacionados a viagens.
Segredo
A Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí — CFLP, Metrô de Teresina — abriu licitação eletrônica para registro de preços destinado à eventual contratação de serviços integrados de engenharia, incluindo intervenções em pavimento rígido, voltados à gestão da circulação de usuários nas vias públicas, organização do fluxo de veículos e pedestres e mitigação de riscos nas vias e passagens de nível, na malha rodoviária e metroferroviária do Estado do Piauí.
O valor? Não se sabe, porque o edital estabelece que é sigiloso.
Transporte
Como nem só de estradas vive uma Secretaria de Transportes, a dita-cuja vai reformar uma praça e um estádio na cidade de Acauã, no Sudeste do Piauí, a um custo de R$ 1.459.591.
Para isso, contratou a empresa Brita Forte Construções Ltda.
Pedra
A mesma pasta, sob o comando de Jonas Moura, vai fazer 10.436 metros quadrados de pavimentação em paralelepípedo no município de Rio Grande do Piauí, a um custo de R$ 1.547.282,77.
A obra será conduzida pela empresa ME Construções.
ORAÇÃO DO DIA!
Oi, Deus! Eu sou prova viva de que a Tua bondade nunca falha e de que o Senhor pode transformar uma história de dor em uma nova história de superação. A Tua bondade ressignificou a minha história e me deu um novo propósito de vida. Amém!
Versículo do dia:
“Enquanto viver, falarei da tua bondade e levantarei as mãos a ti em oração.”
(Salmos 63,4)
Bom dia! A PAZ DO SENHOR JESUS CRISTO.
Olha o navio!!!
Num discurso feito certamente para Rafael ouvir ou ler, Flávio Nogueira anunciou que o minério piauiense já está na China. Santa puxada (daquilo), porque o bagulho nem saiu do navio fundeado a léguas do arremedo de porto.
Até tu, Ziza?
Outro com declaração cheia de baba foi Ziza Carvalho, que tenta fazer o leitor crer que o porto existe, está funcionando e o bagulho já foi entregue aos chineses.
Confiança
Antes da popularização dos computadores, celulares e sistemas digitais, fazer compras na mercearia era uma experiência simples e ágil. Quem comprava fiado tinha o nome anotado em um caderno, e o pagamento era feito na data combinada. A confiança era um dos pilares da relação entre comerciante e cliente.
Filas
A tecnologia surgiu com a promessa de tornar o atendimento mais rápido e eficiente. Na prática, porém, essa expectativa nem sempre se confirma. Em farmácias, supermercados, padarias e lotéricas, consumidores enfrentam filas cada vez maiores. Em muitos estabelecimentos, a espera passou a fazer parte da rotina.
Reflexão
Em alguns supermercados, o consumidor precisa enfrentar três filas: uma no açougue, outra na padaria e uma terceira no caixa para concluir a compra. A modernização trouxe avanços importantes, mas também provoca uma reflexão: se a tecnologia foi criada para agilizar processos, por que, em tantos casos, o atendimento parece mais demorado do que no passado?
Mandrakes
Em ano pré-eleitoral, muitos políticos voltam a deixar os gabinetes para percorrer bairros e comunidades. Durante boa parte do mandato, porém, alguns mantêm pouca presença junto à população e reaparecem com mais frequência à medida que a eleição se aproxima. Como no futebol, deixam para o último minuto do segundo tempo aquilo que poderia ter sido realizado ao longo de toda a partida.
Rotina
Para muitos eleitores, esse comportamento já se tornou previsível. Há quem apareça rapidamente, faça promessas grandiosas, distribua sorrisos, aperte mãos e desapareça logo em seguida, deixando resultados bem menores do que os compromissos assumidos durante a campanha.
Choque de realidade
O verdadeiro choque de realidade depende do eleitor. O voto consciente fortalece a cobrança, amplia a fiscalização e exige compromisso permanente dos representantes. Enquanto a política continuar sendo acompanhada apenas no período eleitoral, o ciclo tende a se repetir. Entre expectativas renovadas e promessas não cumpridas, muitos brasileiros seguem vivendo entre o céu da esperança e o umbral da frustração.